Economia
Vendas de casas caem 6,4% num ano e o valor pago sobe 4,2%
As vendas descem pelo 3.º trimestre seguido e em todas as regiões, mas paga-se mais, em média, por cada casa.
O número de casas vendidas em Portugal caiu 6,4% no 2.º trimestre de 2026, mas o valor total pago subiu 4,2%. As duas comparações são com o mesmo trimestre de 2025, segundo o INE. Para quem quer comprar casa, há menos negócios feitos e cada um custa, em média, mais. Os preços das casas subiram 16,5% num ano. O INE atualizou estes números a 22 de setembro de 2026.
As vendas descem pelo 3.º trimestre seguido
O número de casas vendidas ficou abaixo do ano anterior pela terceira vez seguida. A descida foi de 4,7% no 4.º trimestre de 2025 e de 8,7% no 1.º trimestre de 2026. No 2.º trimestre, a queda ficou nos 6,4%, menos forte do que nos três meses anteriores. Um ano antes, o quadro era o oposto, com mais 15,5% de vendas no 2.º trimestre de 2025. O último trimestre com subida foi o 3.º de 2025, com mais 3,8%.
O valor das vendas cresce muito menos do que em 2025
O valor das vendas é a soma do que se pagou por todas as casas vendidas no trimestre. No 1.º trimestre de 2025, tinha subido 42,9% face ao ano anterior, e no 2.º trimestre de 2025, 30,4%. Depois, a subida abrandou para 16% no 3.º trimestre e para 5,9% no 4.º. Em 2026, ficou nos 3,2% no 1.º trimestre e nos 4,2% no 2.º. Como se venderam menos casas, a subida do valor quer dizer que se pagou mais, em média, por cada uma.
O valor sobe nas casas usadas e desce nas novas
O retrato muda com o tipo de casa. Nas casas usadas, o valor das vendas subiu 6,1%, apesar de se terem vendido menos 6,6% destas casas. Nas casas novas, o valor desceu 1,6% e o número de vendas caiu 5,7%. Os preços também subiram mais nas casas usadas, 18% num ano, do que nas novas, 12,3%, segundo o índice de preços do INE. Quem compra casa usada enfrenta a maior subida de preços.
Compradores de outros países da UE gastam menos 8,9%
O INE separa os compradores pela morada fiscal. Quem tem domicílio fiscal em Portugal gastou mais 4,8% em casas do que um ano antes, com menos 6,2% de compras. Nos compradores com domicílio fiscal noutro país da UE, o valor caiu 8,9% e o número de compras 14,9%. Nos de fora da UE, o valor subiu 0,7%, com menos 5,1% de compras. As famílias gastaram mais 3,6%, e as empresas e outras entidades mais 7,8%.
O Alentejo tem a maior subida do valor, o Algarve e a Madeira descem
Em todas as nove regiões NUTS II se venderam menos casas do que um ano antes. O valor das vendas subiu mais no Alentejo, 20,2%, e na Península de Setúbal, 15,2%. Os Açores ficaram nos 13,5% e o Centro nos 9%. Na Grande Lisboa, a subida foi só de 1,6%. O Algarve e a Madeira foram as únicas regiões com o valor a descer, 4,5% e 2,8%. Nestas duas regiões, o número de vendas caiu 12,4% e 15,2%.
Fontes
- INE, Transações (taxa de variação homóloga do valor) de alojamentos familiares por localização geográfica, categoria, domicílio fiscal e setor institucional do comprador, indicador 0014346, atualizado a 22 de setembro de 2026. Os trimestres anteriores obtêm-se com outro valor de Dim1 (S5A20251 a S5A20261)
- INE, Transações (taxa de variação homóloga do número) de alojamentos familiares, com as mesmas desagregações, indicador 0014344, atualizado a 22 de setembro de 2026. Os trimestres anteriores obtêm-se com outro valor de Dim1 (S5A20252 a S5A20261)
- INE, Índice de preços da habitação (taxa de variação homóloga, base 2025) por categoria do alojamento familiar, indicador 0014767, atualizado a 22 de setembro de 2026
- INE, o mesmo indicador 0014346 por região NUTS II (Dim2 = 11, 19, 1A, 1B, 1C, 1D, 15, 20 e 30), total
- INE, o mesmo indicador 0014344 por região NUTS II (Dim2 = 11, 19, 1A, 1B, 1C, 1D, 15, 20 e 30), total
- INE, metainformação do indicador 0014346 (definição e primeiro período disponível)
Como verificámos: Os valores foram conferidos nos indicadores do INE (0014346, 0014344 e 0014767, atualizados a 22 de setembro de 2026), trimestre a trimestre desde o 1.º trimestre de 2025, por tipo de casa, por domicílio fiscal e setor do comprador e nas nove regiões NUTS II, e a definição na metainformação oficial. As contagens de trimestres e de regiões foram refeitas a partir dos valores oficiais.