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Economia

Salários por hora custam mais 5,4% aos empregadores num ano

A construção lidera, com 6,7%, e todos os grandes setores sobem mais do que na média europeia. Portugal tem a 8.ª maior subida dos 26 países da UE com dados.

Por André Antão

Trabalhadores da construção vistos de cima sobre uma malha de ferro numa obra
Foto: joffi / Pixabay

Cada hora de trabalho custou aos empregadores em Portugal mais 5,4% em salários no 2.º trimestre de 2026 do que um ano antes. O número vem do índice do custo do trabalho do Eurostat. Na média da União Europeia, a subida foi de 3,2%, e na zona euro ficou nos 3%. O indicador acompanha o salário bruto médio pago por cada hora trabalhada. Os valores portugueses são provisórios e o Eurostat publicou-os a 16 de setembro de 2026.

A construção teve a maior subida

Na construção, o custo dos salários por hora subiu 6,7%, bem acima dos 4,1% da média europeia no mesmo setor. Nos serviços de mercado, que juntam o comércio, os transportes, a hotelaria, as finanças e outras atividades, a subida foi de 5,8%. A indústria ficou nos 5,2%. O grupo da administração pública, da educação, da saúde e de outros serviços teve o aumento mais baixo, com 4,9%. Mesmo assim, todos os grandes setores subiram mais em Portugal do que na média da UE.

Gráfico de colunas da variação homóloga do custo dos salários por hora em Portugal: 4,4%, 5,5%, 4,8% e 7,5% nos quatro trimestres de 2025, 5,3% no 1.º trimestre de 2026 e 5,4% no 2.º.
Variação do custo dos salários por hora trabalhada face ao mesmo trimestre do ano anterior, indústria, construção e serviços, ajustada de efeitos de calendário. Fonte: Eurostat.

Portugal está entre os países onde mais sobe

Entre os 26 países da UE com dados para este trimestre, Portugal teve a 8.ª maior subida. À frente ficaram a Bulgária, com 9,9%, a Lituânia, com 9,6%, e a Croácia, com 8,9%. Seguiram-se a Hungria, a Eslovénia, a Estónia e a Chéquia. Espanha registou 4,3% e a Alemanha 2,9%. Em França e em Itália, o aumento ficou nos 2,1%. Face à Alemanha, a subida portuguesa foi 2,5 pontos percentuais mais alta.

Depois do pico de 2024, um ritmo mais estável

No 4.º trimestre de 2024, a subida chegou aos 10,1%, o valor mais alto desde o 2.º trimestre de 2020. Em 2025, abrandou para valores entre 4,4% e 7,5%, conforme o trimestre. Em 2026, o ritmo estabilizou, com 5,3% no 1.º trimestre e 5,4% no 2.º. Há um ano, no 2.º trimestre de 2025, a subida era de 5,5% em Portugal e de 4,4% na UE. A distância para a média europeia ficou agora nos 2,2 pontos.

Um custo para quem paga, não o salário líquido

O índice mede quanto os empregadores gastam em salários por cada hora trabalhada, antes de impostos e descontos. Não inclui as contribuições sociais pagas pelas empresas, que o Eurostat publica à parte. Como a conta é feita por hora, uma descida das horas trabalhadas, com os mesmos salários, também faz subir o valor. Mudanças no tipo de empregos, com mais ou menos postos bem pagos, podem mexer no resultado. Para comparar um aumento com a subida dos preços, convém olhar para a inflação do mesmo período.

Fontes

Como verificámos: Os valores foram conferidos nos dados do Eurostat (índice do custo do trabalho, série lc_lci_r2_q, atualizada a 16 de setembro de 2026). Os valores portugueses desde 2025 são provisórios. As diferenças e a posição entre os países da UE foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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