Economia
Salários por hora custam mais 5,4% aos empregadores num ano
A construção lidera, com 6,7%, e todos os grandes setores sobem mais do que na média europeia. Portugal tem a 8.ª maior subida dos 26 países da UE com dados.
Cada hora de trabalho custou aos empregadores em Portugal mais 5,4% em salários no 2.º trimestre de 2026 do que um ano antes. O número vem do índice do custo do trabalho do Eurostat. Na média da União Europeia, a subida foi de 3,2%, e na zona euro ficou nos 3%. O indicador acompanha o salário bruto médio pago por cada hora trabalhada. Os valores portugueses são provisórios e o Eurostat publicou-os a 16 de setembro de 2026.
A construção teve a maior subida
Na construção, o custo dos salários por hora subiu 6,7%, bem acima dos 4,1% da média europeia no mesmo setor. Nos serviços de mercado, que juntam o comércio, os transportes, a hotelaria, as finanças e outras atividades, a subida foi de 5,8%. A indústria ficou nos 5,2%. O grupo da administração pública, da educação, da saúde e de outros serviços teve o aumento mais baixo, com 4,9%. Mesmo assim, todos os grandes setores subiram mais em Portugal do que na média da UE.
Portugal está entre os países onde mais sobe
Entre os 26 países da UE com dados para este trimestre, Portugal teve a 8.ª maior subida. À frente ficaram a Bulgária, com 9,9%, a Lituânia, com 9,6%, e a Croácia, com 8,9%. Seguiram-se a Hungria, a Eslovénia, a Estónia e a Chéquia. Espanha registou 4,3% e a Alemanha 2,9%. Em França e em Itália, o aumento ficou nos 2,1%. Face à Alemanha, a subida portuguesa foi 2,5 pontos percentuais mais alta.
Depois do pico de 2024, um ritmo mais estável
No 4.º trimestre de 2024, a subida chegou aos 10,1%, o valor mais alto desde o 2.º trimestre de 2020. Em 2025, abrandou para valores entre 4,4% e 7,5%, conforme o trimestre. Em 2026, o ritmo estabilizou, com 5,3% no 1.º trimestre e 5,4% no 2.º. Há um ano, no 2.º trimestre de 2025, a subida era de 5,5% em Portugal e de 4,4% na UE. A distância para a média europeia ficou agora nos 2,2 pontos.
Um custo para quem paga, não o salário líquido
O índice mede quanto os empregadores gastam em salários por cada hora trabalhada, antes de impostos e descontos. Não inclui as contribuições sociais pagas pelas empresas, que o Eurostat publica à parte. Como a conta é feita por hora, uma descida das horas trabalhadas, com os mesmos salários, também faz subir o valor. Mudanças no tipo de empregos, com mais ou menos postos bem pagos, podem mexer no resultado. Para comparar um aumento com a subida dos preços, convém olhar para a inflação do mesmo período.
Fontes
- Eurostat, Labour cost index by NACE Rev. 2 activity, nominal value, quarterly data (lc_lci_r2_q), atualizado a 16 de setembro de 2026
- Eurostat, Labour cost index, metadados (lci_esms)
Como verificámos: Os valores foram conferidos nos dados do Eurostat (índice do custo do trabalho, série lc_lci_r2_q, atualizada a 16 de setembro de 2026). Os valores portugueses desde 2025 são provisórios. As diferenças e a posição entre os países da UE foram recalculadas a partir dos valores oficiais.