Economia
Juro fixo do crédito à casa sobe para 4,23%, o mais alto desde 2023
A taxa variável subiu para 3,36% e a prestação mediana dos créditos em curso chegou aos 362 €, segundo o Banco de Portugal.
O juro mediano dos novos créditos à habitação a taxa fixa subiu para 4,23% em Portugal, em setembro de 2026. Em agosto estava nos 4,02% e um ano antes nos 3,82%, segundo o Banco de Portugal. É o valor mais alto desde novembro de 2023, quando chegou aos 4,28%. A mediana é o valor central: metade das taxas ficou abaixo e metade acima. Para quem procura uma prestação estável, o juro fixo típico dos novos contratos está 0,41 pontos acima do valor de há um ano.
A taxa variável subiu 0,54 pontos num ano
Nos novos empréstimos a taxa variável, o juro mediano chegou aos 3,36% em setembro. Em setembro de 2025 estava nos 2,82%, o valor mais baixo desde outubro de 2022. A subida é de 0,54 pontos percentuais num ano e leva a taxa ao nível mais alto desde fevereiro de 2025. Ainda assim, fica longe dos 4,97% de novembro de 2023. A taxa variável continua 0,87 pontos abaixo da fixa, mas há um ano a distância era de 1 ponto.
O juro muda muito de contrato para contrato
A mediana esconde diferenças grandes entre quem pede crédito. Nos 10% de novos empréstimos a taxa fixa com juro mais baixo, a taxa não passou de 3,02% em setembro. Nos 10% mais caros, ficou nos 4,44% ou acima. São 1,42 pontos de distância entre os dois extremos. Na taxa variável, os mesmos limites foram 2,96% e 3,77%, uma distância menor, de 0,81 pontos.
A prestação mediana dos créditos em curso sobe 25 € num ano
Nos empréstimos para habitação própria permanente em curso, a prestação mensal mediana foi de 362 € em setembro de 2026. Um ano antes era de 337 €, ou seja, mais 25 € por mês e uma subida de 7,4%. A mediana resume o conjunto dos contratos, não a prestação de cada família. As renegociações de contratos já existentes valeram 21,16% do montante dos novos empréstimos à habitação em setembro. Em março tinham chegado aos 26,41%, o valor mais alto deste ano.
A Euribor a 3 meses ganha terreno
Nos novos empréstimos a taxa variável, a Euribor a 6 meses continua a ser o indexante mais usado, com 49,35% do montante em setembro. A Euribor a 12 meses desceu para 28,12%, contra 35,71% um ano antes. A grande mudança está na Euribor a 3 meses, que passou de 5,47% para 16,6% do montante, o triplo num ano. Com um indexante mais curto, a taxa é em regra revista mais vezes. Assim, acompanha mais depressa as mudanças dos juros, para cima e para baixo.
Fontes
- Banco de Portugal, BPstat, taxas de juro dos novos empréstimos para habitação própria permanente a taxa fixa e variável (percentis 10, 50 e 90), atualizado a 2 de novembro de 2026
- Banco de Portugal, BPstat, renegociações de empréstimos à habitação e prestação mensal mediana dos empréstimos em curso, atualizado a 2 de novembro de 2026
- Banco de Portugal, BPstat, novos empréstimos à habitação a taxa variável por indexante (Euribor a 3, 6 e 12 meses), atualizado a 2 de novembro de 2026
Como verificámos: As taxas foram conferidas nas séries do Banco de Portugal (BPstat, atualizadas a 2 de novembro de 2026), uma a uma, com as definições oficiais. As diferenças em pontos e a subida da prestação foram recalculadas a partir dos valores oficiais.