Economia
Novo crédito ao consumo cresce 13,3% e ganha ritmo em 2026
O crédito pessoal puxa pelo total. Há mais 6% de contratos, mas o dinheiro emprestado cresce mais do dobro dessa taxa, segundo o Banco de Portugal.
Em Portugal, o novo crédito ao consumo concedido às famílias subiu 13,3% nos 12 meses até agosto de 2026, segundo o Banco de Portugal. É uma variação percentual face aos 12 meses anteriores e conta só contratos novos, sem renegociações. Um ano antes, o mesmo ritmo estava nos 11,2%, e em julho de 2026 ficava nos 12,7%. Na prática, entra mais dinheiro emprestado nas compras das famílias, do carro às despesas pessoais. Para quem contrata, isso quer dizer uma prestação a pesar no orçamento durante anos.
O crédito pessoal cresce mais depressa
O crédito pessoal foi o que mais acelerou. O montante dos novos contratos subiu 16,3% nos 12 meses até agosto, contra 11,5% um ano antes. No crédito automóvel, a subida foi de 13,1%, um pouco abaixo dos 14,7% de agosto de 2025. O crédito renovável, como o dos cartões de crédito, cresceu 5,3%. Entre os três tipos, só o crédito pessoal sobe acima do total.
Há mais contratos, mas o dinheiro sobe mais
O número de novos contratos também aumentou, mas a um ritmo menor. Nos 12 meses até agosto, foram mais 6% do que no período anterior. O montante cresceu mais do dobro dessa taxa, o que aponta para empréstimos maiores em média. Só em agosto de 2026, os bancos e outras instituições financeiras assinaram 152 181 novos contratos de crédito ao consumo. Em agosto de 2025 tinham sido 136 097, ou seja, mais 11,8% num ano.
Metade dos créditos pessoais não chega aos 5000 €
Em agosto de 2026, o valor mediano de um novo crédito pessoal foi de 4580,6 €. Quer isto dizer que metade dos contratos ficou abaixo deste montante e a outra metade acima. Em julho, a mediana estava nos 5000 €, o mesmo valor desde fevereiro de 2026. Um quarto dos contratos não passou de 2000 € e três quartos ficaram até 8900 €. O prazo médio destes empréstimos foi de 4,8 anos, contra 7,2 anos no crédito automóvel.
A subida ganhou força em 2026
O ritmo de crescimento acelerou ao longo de 2026. Em dezembro de 2025 e em fevereiro de 2026, a taxa estava nos 10,8%. Em abril chegou aos 13,6%, e de maio a agosto ficou entre 12,7% e 13,3%. Há dois anos, em agosto de 2024, a subida era de 7,6%. Para quem pensa num empréstimo, a regra é simples: comparar o total a pagar até ao fim, e não só a prestação de cada mês.
Fontes
- Banco de Portugal, BPstat, crédito aos consumidores: montante e número de novos contratos (variação homóloga do acumulado de 12 meses) e prazo médio, atualizado a 1 de outubro de 2026
- Banco de Portugal, BPstat, crédito aos consumidores: número de novos contratos e distribuição dos montantes do crédito pessoal, atualizado a 1 de outubro de 2026
Como verificámos: Os valores foram conferidos nas séries do Banco de Portugal (BPstat, atualizadas a 1 de outubro de 2026), que contam só contratos novos com famílias, sem renegociações. As variações e o rácio entre montante e número de contratos foram recalculados a partir dos valores oficiais.