Ambiente
Portugal reciclou 32,9% do lixo urbano, um recorde na série
Na compostagem dos restos orgânicos, o país já está ao nível europeu. A grande distância está na reciclagem de materiais e no peso do aterro e de outras formas de eliminação.
Portugal reciclou 32,9% dos resíduos urbanos que produziu em 2024, o valor mais alto da série do Eurostat, que começa em 2000. Em 2023, a taxa estava nos 30,6%, o que dá uma subida de 2,3 pontos num só ano. Cada habitante produziu 492 kg de lixo urbano, cerca de 1,3 kg por dia, entre o lixo de casa e outro de natureza parecida. O avanço é real, mas a média da União Europeia, estimada pelo Eurostat, está nos 49,4%. O aterro e outras formas de eliminação recebem o equivalente a 51,8% do lixo produzido.
Aterro e eliminação valem mais de metade do lixo produzido
Dos 492 kg produzidos por cada habitante, 255 kg foram para aterro ou outras formas de eliminação. É o equivalente a 51,8% do lixo produzido, contra 20,7% na média da UE, onde cada pessoa manda 106 kg para o mesmo destino. A queima com aproveitamento de energia ficou com 110 kg por habitante em Portugal e 135 kg na UE. Ainda assim, o aterro e a eliminação perderam peso face a 2023, quando receberam 273 kg por habitante. A descida de 18 kg num ano é um dos sinais de que a gestão do lixo está a mudar.
A compostagem já está ao nível europeu
A reciclagem tem duas partes. A primeira é a compostagem e a digestão dos resíduos orgânicos, que transformam restos de comida e de jardim em composto ou em biogás. Aqui, Portugal já chegou à média europeia, com 101 kg por habitante, contra 102 kg na UE, e subiu 17 kg face a 2023. A segunda é a reciclagem de materiais, onde está a maior distância. Portugal reciclou 60 kg de materiais por habitante em 2024, menos 3 kg do que no ano anterior. A média da UE chegou aos 150 kg.
Só cinco países da UE reciclam menos
Entre os 26 países da UE com dados para 2024, só Chipre, Malta, Grécia, Bulgária e Polónia ficaram abaixo de Portugal. O valor de Chipre é provisório. A Alemanha lidera, com 69%, seguida da Eslovénia, com 62,4%, e da Áustria, com 60,7%. Espanha reciclou 42,5%, um valor estimado, e a Hungria, logo acima de Portugal, ficou nos 33,6%. A Roménia ainda não tinha dados de 2024 quando o Eurostat atualizou a série, a 15 de outubro de 2026.
A meta europeia para 2025 é de 55%
As regras europeias, revistas em 2018, pedem que os países reciclem ou preparem para reutilização 55% dos resíduos urbanos até 2025. A meta sobe para 60% em 2030 e para 65% em 2035. O cumprimento destas metas é medido com outra série do Eurostat, de regras mais estritas. Por isso, a taxa de 32,9% não se compara diretamente com os 55%. A taxa mede a parte do lixo produzido que volta a ser usada como matéria-prima ou transformada em composto ou biogás. Assim, cada quilo que sai do aterro e entra num destes circuitos faz subir o número.
Fontes
- Eurostat, Recycling rate of municipal waste (cei_wm011), atualizado a 15 de outubro de 2026
- Eurostat, Municipal waste by waste management operations (env_wasmun), atualizado a 15 de outubro de 2026
- Eurostat, Statistics Explained, Municipal waste statistics (metas da Diretiva 2018/851)
Como verificámos: As taxas e os quilos por habitante foram conferidos nos dados do Eurostat (séries cei_wm011 e env_wasmun, atualizadas a 15 de outubro de 2026). Os valores da UE de 2024 são estimados pelo Eurostat e o de Espanha é estimado. As percentagens e diferenças foram recalculadas a partir dos valores oficiais.