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Emprego

8,9% trabalham habitualmente em casa, longe do pico de 2021

O grupo que mais cresceu desde 2019, numa comparação só indicativa, é o de quem trabalha em casa só alguns dias. Dos 15 aos 39 anos, o trabalho habitual em casa é quase o dobro do que se vê dos 55 aos 64.

Por André Antão

Canto de trabalho numa casa com secretária em L branca e cinzenta, cadeira estofada, candeeiro preto, uma jarra com flores e papéis arrumados
Foto: ricardorv30 / Pixabay

A casa era o local habitual de trabalho de 8,9% das pessoas empregadas dos 15 aos 64 anos em Portugal, em 2025. Um ano antes eram 8,7%, segundo os dados do Eurostat atualizados a 30 de outubro de 2026. Outros 12,4% trabalhavam a partir de casa só às vezes. Somados, os dois grupos chegam aos 21,3%, mais de um em cada cinco trabalhadores. A grande maioria, 78,7%, nunca trabalhava a partir de casa, o que faz do trabalho a partir de casa uma exceção e não a regra.

O trabalho habitual em casa está longe do pico de 2021

Em 2019, antes da pandemia, só 6,6% das pessoas empregadas trabalhavam habitualmente a partir de casa. A proporção saltou para 13,8% em 2020 e chegou aos 14,4% em 2021, o valor mais alto da série. Em 2021 o Eurostat mudou o método do inquérito, por isso a comparação com os anos anteriores é só indicativa. Depois do pico, o valor desceu para 8% em 2022 e para 7,7% em 2023. Nos dois últimos anos voltou a subir, mas ainda fica 5,5 pontos abaixo de 2021.

Gráfico de colunas da percentagem de pessoas empregadas dos 15 aos 64 anos que trabalhavam habitualmente a partir de casa em Portugal: 6,6% em 2019, 14,4% em 2021, 8% em 2022, 7,7% em 2023, 8,7% em 2024 e 8,9% em 2025.
Pessoas empregadas dos 15 aos 64 anos que trabalhavam habitualmente a partir de casa, em % do emprego da mesma idade. O Eurostat mudou o método do inquérito em 2021. Fonte: Eurostat.

Trabalhar em casa só alguns dias nunca foi tão comum

O grupo que mais cresceu é o de quem trabalha em casa só às vezes. Em 2019 eram 9,1% das pessoas empregadas, e em 2025 chegaram aos 12,4%, mais 3,3 pontos numa comparação só indicativa. Depois de recuar de 11,3% em 2021 para 10% em 2023, recuperou e está agora no valor mais alto da série. Na média da UE, a proporção é de 14,2%, 1,8 pontos acima de Portugal. Nos Países Baixos, o valor mais alto da UE, chega aos 41%.

Dos 15 aos 39 anos, o trabalho habitual em casa é quase o dobro dos 55 aos 64

Dos 15 aos 39 anos, 11,5% das pessoas empregadas trabalhavam habitualmente a partir de casa em 2025. Dos 55 aos 64 anos, a proporção desce para 5,8%, perto de metade. Os jovens portugueses dos 15 aos 29 anos ficam nos 9,9%, bem acima dos 6,5% da média europeia. Nos 55 aos 64 anos acontece o contrário, com 5,8% em Portugal e 8,4% na UE. Entre mulheres e homens a distância é curta, com 9,1% e 8,7%.

Quem trabalha por conta própria fica mais vezes em casa

Entre os trabalhadores por conta própria, 16,9% trabalhavam habitualmente a partir de casa em 2025. Nos trabalhadores por conta de outrem, a proporção fica nos 7,7%, menos de metade. Entre os trabalhadores por conta própria sem empregados, o valor sobe para 21,6%. Já os empregadores, que têm pessoas ao seu serviço, ficam nos 7,1%. Para quem trabalha por conta de outrem, os dias soltos em casa são mais comuns do que o trabalho habitual em casa, com 11,8%.

Portugal fica em 12.º lugar entre os 27 países da UE

No trabalho habitual a partir de casa, onze países da UE ficam acima de Portugal. A Finlândia lidera com 20,5%, seguida da Irlanda, com 19,2%. No outro extremo estão a Roménia, com 1,3%, e a Bulgária, com 1,4%. Com 8,9%, Portugal fica praticamente igual à média europeia, de 8,8%. Em França e em Espanha, o Eurostat assinala uma definição diferente, por isso a comparação com estes dois países pede alguma cautela.

Fontes

Como verificámos: As percentagens foram conferidas nos dados do Eurostat (tabela lfsa_ehomp, atualizada a 30 de outubro de 2026), para Portugal, para a média da UE, por idade, por sexo, por situação na profissão e pelos 27 países. A posição de Portugal foi contada entre todos os países da UE. A soma e as diferenças em pontos foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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