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Emprego

Só 2% dos ativos em Portugal procuram emprego há um ano ou mais

Nenhum 3.º trimestre da série do INE, iniciada em 2011, teve uma taxa tão baixa. Nas mulheres fica nos 2,2%, nos homens nos 1,8%.

Por André Antão

Ampulheta de vidro com moldura metálica dourada e areia branca a escorrer, pousada na areia, sobre um fundo claro
Foto: anncapictures / Pixabay

Só 2% da população ativa em Portugal procurava emprego há um ano ou mais no 3.º trimestre de 2026, segundo o INE. É a taxa de desemprego de longa duração, igual à do trimestre anterior e 0,1 pontos abaixo da de há um ano. Em cada 100 pessoas que trabalham ou procuram trabalho, duas estão há pelo menos 12 meses sem encontrar emprego. Para dar escala, no pior momento da crise, em 2013, a taxa chegou aos 9,8%.

Nenhum 3.º trimestre da série teve um valor tão baixo

Os 2% do 3.º trimestre repetem o valor do 2.º trimestre de 2026. Na série do INE, que começa em 2011, só o 2.º trimestre de 2020 ficou abaixo, com 1,7%. Foi o trimestre do primeiro confinamento da pandemia, um período fora do normal. Se a comparação se fizer só entre terceiros trimestres, nenhum teve uma taxa tão baixa. Há um ano estava nos 2,1%, e em 2019, antes da pandemia, chegava aos 2,8%.

Gráfico de colunas da taxa de desemprego de longa duração em Portugal no 3.º trimestre de cada ano: 3% em 2021, 2,5% em 2022, 2,3% em 2023 e em 2024, 2,1% em 2025 e 2% em 2026.
Desempregados à procura de emprego há 12 meses ou mais, em % da população ativa, 3.º trimestre de cada ano, Portugal. Fonte: INE, Inquérito ao Emprego.

Em 2013, quase um em cada dez ativos estava nesta situação

No 1.º e no 2.º trimestre de 2013, a taxa chegou aos 9,8%, o máximo da série. No 3.º trimestre desse ano ainda estava nos 9,7%, quase cinco vezes o valor de agora. A maior parte da descida aconteceu depois. Entre o 1.º trimestre de 2016 e o 4.º trimestre de 2018, a taxa caiu de 6,8% para 2,8%. Desde então ficou sempre entre 1,7% e 3,1%, e o valor mais alto deste período foi registado no fim de 2021.

As mulheres continuam um pouco acima dos homens

Entre as mulheres, a taxa de desemprego de longa duração foi de 2,2% no 3.º trimestre. Entre os homens ficou nos 1,8%, menos 0,4 pontos percentuais. Há um ano, as mulheres estavam no mesmo valor e os homens nos 2%, por isso a descida anual veio dos homens. Ainda assim, a distância entre os sexos é hoje bem menor do que em 2021. No 3.º trimestre desse ano, a taxa das mulheres era de 3,5% e a dos homens de 2,5%, uma diferença de 1 ponto.

Conta quem procura há muito tempo, não quem está inscrito

Um desempregado de longa duração é alguém sem trabalho, disponível e à procura de emprego há 12 meses ou mais. A taxa divide estas pessoas pela população ativa, que junta quem tem emprego e quem o procura. Os números vêm do Inquérito ao Emprego, feito pelo INE às famílias, e não das inscrições nos centros de emprego do IEFP. Os valores de 2011 a 2020 foram revistos pelo INE para se poderem comparar com os atuais, e todos usam a população dos Censos 2021.

Fontes

Como verificámos: As taxas foram conferidas na série trimestral do INE (atualizada a 4 de novembro de 2026), do 1.º trimestre de 2011 ao 3.º trimestre de 2026, por sexo. As diferenças em pontos percentuais foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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