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Emprego

Contratos temporários caem para 15,2%, mas ainda são 49,8% nos jovens

Quase três em cada quatro trabalhadores temporários em Portugal dizem que não encontraram emprego permanente ou que o lugar só existia a prazo. Só três países da UE têm uma proporção de temporários mais alta.

Por André Antão

Trabalhador numa vindima despeja um balde de uvas tintas numa caixa vermelha, com a vinha ao fundo
Foto: richarem / Pixabay

Em Portugal, 15,2% dos trabalhadores por conta de outrem com 15 a 64 anos tinham um contrato temporário em 2025. Em 2024 eram 16%, o que dá menos 0,8 pontos num ano, segundo o Eurostat. Ao contrário de um emprego permanente, um contrato destes acaba numa data, no fim de uma tarefa ou no regresso de alguém. Na média da União Europeia, a proporção ficou nos 12,6%. O Eurostat atualizou estes dados anuais a 26 de outubro de 2026.

Só três países da UE têm uma proporção mais alta

Entre os 27 países da União Europeia, só três ficam acima de Portugal. Os Países Baixos lideram com 25,5%, seguidos da Polónia, com 15,7%, e de Espanha, com 15,4%. A França tem o mesmo valor de Portugal, 15,2%. Nos dados de Espanha e de França, o Eurostat assinala uma definição diferente. No extremo oposto, a Lituânia fica nos 1,8% e a Roménia nos 1,9%. Portugal está 2,6 pontos acima da média europeia, que também desceu, de 12,8% em 2024 para 12,6% em 2025.

Gráfico de colunas da percentagem de trabalhadores por conta de outrem dos 15 aos 64 anos com contrato temporário em Portugal: 17,9% em 2020, 17,2% em 2021, 16,7% em 2022, 17,5% em 2023, 16% em 2024 e 15,2% em 2025.
Trabalhadores por conta de outrem dos 15 aos 64 anos com contrato temporário, em % dos trabalhadores por conta de outrem da mesma idade. Fonte: Eurostat.

Quase metade dos jovens trabalhadores tem contrato com fim marcado

Dos 15 aos 24 anos, 49,8% dos trabalhadores por conta de outrem tinham um contrato temporário em 2025. Em 2022 eram 59,3%, uma descida de 9,5 pontos em três anos. Na média da UE, a proporção nesta idade ficou nos 46,8%. Dos 15 aos 29 anos, o valor português desce para 36,7%, contra 33,2% na UE. Depois cai com a idade: 14,3% dos 25 aos 54 anos e 6,7% dos 55 aos 64 anos.

Quase três em cada quatro dizem que não havia opção permanente

O inquérito ao emprego pergunta também porque é que cada pessoa tem um contrato temporário. Em Portugal, em 2025, 43,9% deram como motivo principal que o emprego só existia com este tipo de contrato. Outros 29,8% não encontraram um emprego permanente. Somadas, as duas razões chegam aos 73,7%, quase três em cada quatro. Na média da UE, as mesmas razões somam 49,9%. Só 4,8% dos trabalhadores temporários em Portugal não queriam um emprego permanente, contra 9,8% na UE. Estes motivos vêm de outra tabela do Eurostat, atualizada a 30 de outubro de 2026.

A proporção está 7,1 pontos abaixo do pico de 2016

A série desta tabela do Eurostat para Portugal começa em 2009, com 21,2%. O valor mais alto foi de 22,3%, em 2016, e o de 2025 é o mais baixo da série. A maior queda de um ano para o outro deu-se de 2019 para 2020, de 20,9% para 17,9%. Depois de voltar a subir para 17,5% em 2023, a proporção desceu dois anos seguidos. Em Portugal, mais de um em cada sete trabalhadores por conta de outrem continua com contrato a termo ou outro vínculo temporário.

Fontes

Como verificámos: As percentagens foram conferidas nos dados do Eurostat (tabela lfsi_pt_a, atualizada a 26 de outubro de 2026, e tabela lfsa_etgar, atualizada a 30 de outubro de 2026), para Portugal, para a média da UE, por idade e pelos 27 países. A posição de Portugal foi contada entre todos os países da UE. As diferenças em pontos e a soma dos motivos foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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