Educação
5,7% dos alunos do 3.º ciclo ficaram retidos, o triplo do 1.º
A taxa do ensino básico desceu pela primeira vez desde 2019/2020 e está abaixo de metade do valor de 2014/2015.
Em 2024/2025, 5,7% dos alunos do 3.º ciclo em Portugal ficaram retidos no mesmo ano, o triplo dos 1,9% do 1.º ciclo. Os números são da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), atualizados no INE a 3 de julho de 2026. Para uma família, isto quer dizer que o risco de repetir o ano aumenta à medida que os filhos avançam na escola. É entre o 7.º e o 9.º ano que a taxa é mais alta. Em todo o ensino básico, a taxa foi de 3,6%.
A taxa sobe de ciclo para ciclo
A taxa conta os alunos do ensino básico regular que ficam no mesmo ano de escolaridade, por insucesso ou para tentar melhorar as notas. No 1.º ciclo, do 1.º ao 4.º ano, ficou em 1,9%, igual ao ano letivo anterior. No 2.º ciclo, que junta o 5.º e o 6.º anos, desceu de 3,9% para 3,6%. No 3.º ciclo, recuou de 6,2% para 5,7%. Do outro lado da mesma conta estão os alunos que passaram de ano ou concluíram o ciclo: 98,1% no 1.º ciclo e 94,3% no 3.º.
A retenção desceu depois de dois anos a subir
Em todo o ensino básico, a taxa passou de 3,9% em 2023/2024 para 3,6% em 2024/2025, menos 0,3 pontos percentuais. A descida chega depois de dois anos de subidas. Em 2021/2022, a taxa estava nos 3,1% e subiu para 3,8% no ano letivo seguinte. O salto maior foi no 3.º ciclo, que passou de 4,5% para 6,2% entre 2021/2022 e 2022/2023. Ficou nesse valor em 2023/2024 e só no último ano letivo recuou, para 5,7%.
Há dez anos, a retenção era mais do dobro
No primeiro ano letivo da série da DGEEC, 2014/2015, a taxa no ensino básico era de 7,9%, mais do dobro da atual. No 3.º ciclo chegava aos 12,3%, perto de um em cada oito alunos. A taxa desceu todos os anos até 2019/2020, quando atingiu o valor mais baixo da série, 2,2%. Nesse ano, o 3.º ciclo ficou nos 3%. Depois disso a taxa subiu, mas nunca voltou perto dos níveis de há dez anos.
A distância entre rapazes e raparigas cresce no 3.º ciclo
Em 2024/2025, 4,1% dos rapazes do ensino básico ficaram retidos, contra 3% das raparigas. No 1.º ciclo, os valores quase se igualam, com 1,9% e 1,8%. No 2.º ciclo, a taxa foi de 4,2% nos rapazes e de 2,9% nas raparigas. No 3.º ciclo, a distância é a maior de todas: 6,8% dos rapazes contra 4,6% das raparigas, uma diferença de 2,2 pontos percentuais. É no fim do ensino básico que esta diferença mais pesa.
No secundário, mais alunos ficam pelo caminho
Para o secundário, a DGEEC publica a taxa de transição ou conclusão, que conta quem passa de ano ou termina o curso. Em 2024/2025, essa taxa foi de 91,2%, contra 90,4% no ano letivo anterior. Nos cursos tecnológicos e profissionais chegou aos 92,5%, acima dos 90,4% dos cursos científico-humanísticos. No ensino básico, a mesma taxa ficou nos 96,4%. Ou seja, a parte dos alunos que não passa de ano é maior no secundário do que no básico.
Fontes
- DGEEC, Taxa de retenção e desistência no ensino básico por sexo e nível de ensino (indicador 0012618 da base de dados do INE), atualizado a 3 de julho de 2026
- DGEEC, Taxa de transição ou conclusão no ensino básico por sexo e nível de ensino (indicador 0012619 da base de dados do INE), atualizado a 3 de julho de 2026
- DGEEC, Taxa de transição ou conclusão no ensino secundário por sexo e oferta (indicador 0012635 da base de dados do INE), atualizado a 29 de junho de 2026
- INE, metainformação do indicador 0012618 (fórmula e conceitos)
Como verificámos: Os valores foram conferidos nos indicadores da DGEEC na base de dados do INE (atualizados a 3 de julho e a 29 de junho de 2026), ano letivo a ano letivo desde 2014/2015, e a definição na metainformação oficial. As diferenças e os rácios foram recalculados a partir dos valores oficiais.