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Educação

Abandono escolar precoce desce para 6,1%, abaixo da média europeia

É o valor mais baixo desde 2021, quando o Eurostat mudou o método do inquérito. Em 2010, Portugal tinha mais do dobro da média europeia.

Por André Antão

Pátio e edifícios de uma escola secundária portuguesa num dia de sol
Foto: António Amen / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 (recortada)

Em 2025, 6,1% dos jovens dos 18 aos 24 anos em Portugal tinham deixado a escola cedo, segundo o Eurostat. Em 2024 eram 6,6%, uma descida de 0,5 pontos percentuais num só ano. O indicador conta os jovens que ficaram, no máximo, pelo 3.º ciclo do ensino básico e que já não estudam nem estão em formação. Na prática, são jovens que chegam à vida adulta sem o secundário. É um dos indicadores com que a União Europeia acompanha a educação nos 27 países.

Abaixo da média europeia

Na União Europeia, a taxa foi de 9,1% em 2025, contra 9,6% no ano anterior. Portugal fica 3 pontos percentuais abaixo da média, e os dois desceram os mesmos 0,5 pontos no último ano. Há 15 anos, a posição era a inversa. Em 2010, a taxa portuguesa era de 28,3%, mais do dobro dos 13,8% da média europeia. O método do inquérito mudou pelo meio, por isso esta comparação de longo prazo é só indicativa.

Gráfico de colunas da taxa de abandono escolar precoce em Portugal: 6,4% em 2021, 6,3% em 2022, 8,1% em 2023, 6,6% em 2024 e 6,1% em 2025.
Percentagem de jovens dos 18 aos 24 anos com, no máximo, o 3.º ciclo do ensino básico e fora da educação ou formação. Fonte: Eurostat.

Mais rapazes do que raparigas deixam a escola cedo

A diferença entre sexos mantém-se. Em 2025, 7,6% dos rapazes dos 18 aos 24 anos tinham deixado cedo a escola, contra 4,5% das raparigas, uma diferença de 3,1 pontos percentuais. Face a 2024, a taxa das raparigas desceu de 5,3% para 4,5%, e a dos rapazes quase não mexeu, de 7,8% para 7,6%. Os dois valores ficam abaixo das médias europeias, de 10,6% para os rapazes e 7,5% para as raparigas. É entre os rapazes que a taxa continua mais alta.

Mais de metade dos que saíram cedo trabalha

O Eurostat divide estes jovens pela situação no emprego. Dos 6,1% que deixaram a escola cedo, 3,4% dos jovens desta idade tinham emprego e 2,7% não tinham. Entre os que não tinham emprego, a maioria queria trabalhar, o equivalente a 1,9% de todos os jovens dos 18 aos 24 anos. Na média europeia, o peso inverte-se: 4,2% trabalhavam e 4,9% estavam sem emprego. Todas estas parcelas se medem sobre o total de jovens desta idade, não só sobre os que saíram cedo.

2023 foi a exceção

Desde 2021, ano em que o Eurostat mudou o método, a taxa passou de 6,4% para 6,3% em 2022. Subiu para 8,1% em 2023 e voltou a descer para 6,6% em 2024. O valor de 2025 é o mais baixo deste período. Antes da mudança de método, em 2019, a taxa estava nos 10,5%.

Em termos relativos, a descida de 6,6% para 6,1% é uma queda de cerca de 7,6% na taxa. Os dois números medem coisas diferentes: um está em pontos percentuais, o outro é uma variação percentual.

Fontes

Como verificámos: Os valores foram conferidos nos dados do Eurostat (série edat_lfse_14, consultada a 1 de novembro de 2026) e a definição nos metadados oficiais. O Eurostat assinala quebras de série em 2011, 2014 e 2021 para Portugal, por isso a comparação com 2010 é indicativa. As diferenças foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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