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Preços

Peixe e marisco sobem 10,3% em Portugal, a maior subida da UE

O peixe pesa 3,5 vezes mais no cabaz português do que na média europeia. E enquanto a carne abrandou para 2,2%, o peixe voltou a acelerar.

Por André Antão

Vários peixes frescos sobre gelo numa banca de mercado
Foto: photo-graphe / Pixabay

O peixe e o marisco custavam em Portugal mais 10,3% em setembro de 2026 do que um ano antes, segundo o Eurostat. Na média da União Europeia, a subida foi de 3,5%, e a portuguesa foi quase o triplo. Nenhum dos 27 países da UE teve uma subida tão forte neste produto. Em contas simples, o peixe que custava 20 € há um ano custa agora cerca de 22 €. Em agosto, a taxa portuguesa estava nos 9,4%.

Portugal lidera as subidas na União Europeia

A seguir a Portugal, as maiores subidas da UE em setembro foram as da Letónia, com 8,7%, e da Lituânia, com 7,6%. Espanha ficou nos 3,5%, igual à média europeia, e França nos 2,1%. Em quatro países, o peixe ficou mesmo mais barato do que um ano antes, com a maior descida nos Países Baixos, de 2,7%. Em Portugal, a subida ficou acima da média da UE em todos os meses desde setembro de 2024. Há um ano, a comparação era de 7,4% contra 3,3%.

Gráfico de barras da variação do preço do peixe e marisco entre setembro de 2025 e setembro de 2026: Portugal 10,3%, Letónia 8,7%, Lituânia 7,6%, média da UE 3,5%, Espanha 3,5% e França 2,1%.
Variação homóloga do índice harmonizado de preços no consumidor, peixe e marisco, em setembro de 2026, em %. Fonte: Eurostat.

O peixe pesa mais no cabaz português

O Eurostat dá a cada produto um peso, conforme a parte que ocupa nas despesas das famílias. Em 2026, de cada 1000 € gastos no cabaz português, 28,29 € vão para peixe e marisco, perto de 2,8% do total. Na média da UE, são 8,08 €, ou seja, 3,5 vezes menos. Dentro da alimentação, o peixe representa em Portugal cerca de 14,5% da despesa. Por isso, uma subida forte no peixe pesa mais na fatura das famílias portuguesas do que na média europeia.

A carne abrandou, o peixe acelerou

Nas outras compras de supermercado, o ritmo foi muito mais calmo em setembro. A carne subiu 2,2% em Portugal, depois de 9% em setembro de 2025. O pão e os cereais ficaram 2,3% mais caros, e o leite, os laticínios e os ovos apenas 0,1%. A alimentação no seu todo subiu 2,4%, contra 0,6% na média da UE. O peixe fez o caminho inverso ao da carne, de 7,4% há um ano para os 10,3% de agora.

Três meses acima dos 10% em 2026

A subida do peixe ganhou força ao longo do ano. Em janeiro de 2026, a taxa estava nos 6,9%, e em março chegou aos 9,2%. Passou a fasquia dos 10% em abril, com 10,4%, e em junho atingiu 10,7%, o valor mais alto do ano. Julho e agosto trouxeram um ligeiro alívio, com 9,5% e 9,4%, antes dos 10,3% de setembro. Cada uma destas taxas é uma variação percentual face ao mesmo mês do ano anterior, no índice harmonizado de preços do Eurostat.

Fontes

Como verificámos: As taxas foram conferidas nos dados do Eurostat (índice harmonizado de preços no consumidor, atualizado a 16 de outubro de 2026), mês a mês e em todos os países da UE. Os pesos no cabaz, as razões e o exemplo foram recalculados a partir dos valores oficiais.

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