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Educação

Pré-escolar: taxa bruta de 98,3%, mas 90,4% na Península de Setúbal

Há regiões acima dos 100%, porque a taxa compara todas as crianças inscritas com a população residente dos 3 aos 5 anos.

Por André Antão

Mão de uma criança pequena a desenhar com um lápis de cor laranja numa folha, com outras crianças desfocadas ao fundo
Foto: _Alicja_ / Pixabay

A taxa bruta de pré-escolarização chegou aos 98,3% em Portugal no ano letivo de 2024/2025, contra 97,7% no ano anterior. É o valor mais alto desde 2014/2015, o primeiro ano da série da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Para quem tem filhos dos 3 aos 5 anos, isto quer dizer que há quase tantas inscrições no pré-escolar como crianças dessas idades. A distância entre regiões, porém, continua grande. Os dados foram atualizados na base de dados do INE a 14 de julho de 2026.

Uma taxa bruta pode passar dos 100%

A DGEEC calcula esta taxa ao dividir as crianças inscritas na educação pré-escolar pela população residente com 3 a 5 anos. A conta de cima inclui todas as crianças inscritas, e a de baixo só os residentes dessas idades. Por isso, os 98,3% não querem dizer que 98,3% das crianças dos 3 aos 5 anos estão no pré-escolar. Se houver crianças inscritas com outra idade, entram na conta de cima, mas não na de baixo. É esta diferença que permite valores acima de 100% em várias regiões.

Gráfico de barras da taxa bruta de pré-escolarização por região em 2024/2025: Alentejo 101,8%, Centro 101,5%, Norte 100,9%, Madeira 100,8%, Oeste e Vale do Tejo 100,7%, Açores 100,2%, Portugal 98,3%, Algarve 95,3%, Grande Lisboa 94,1% e Península de Setúbal 90,4%.
Crianças inscritas na educação pré-escolar em percentagem da população residente com 3 a 5 anos, por região NUTS II. Pode passar dos 100%. Fonte: DGEEC.

Em dez anos, a taxa subiu 8,3 pontos

Em 2014/2015, a taxa bruta era de 90%. Passou para 94,4% em 2016/2017 e chegou aos 98% em 2019/2020. No ano letivo seguinte, 2020/2021, desceu para 96,2%. Depois oscilou entre 96,4% e 97,7% até 2023/2024. Os 98,3% de 2024/2025 ficam 8,3 pontos percentuais acima do primeiro ano da série e 0,6 pontos acima do ano anterior. Ultrapassam também o máximo anterior, os 98% de 2019/2020.

Seis das nove regiões ficam acima dos 100%

Por região NUTS II, o Alentejo teve a taxa mais alta em 2024/2025, 101,8%. Seguem-se o Centro, com 101,5%, o Norte, com 100,9%, e a Madeira, com 100,8%. O Oeste e Vale do Tejo ficou nos 100,7% e os Açores nos 100,2%. Abaixo do valor nacional ficaram três regiões. São o Algarve, com 95,3%, a Grande Lisboa, com 94,1%, e a Península de Setúbal, com 90,4%, a mais baixa do país.

A Península de Setúbal fica 11,4 pontos atrás do Alentejo

Entre a região mais alta e a mais baixa, a distância foi de 11,4 pontos percentuais em 2024/2025. Na Península de Setúbal, há menos crianças inscritas por cada 100 residentes dos 3 aos 5 anos do que no resto do país. Ainda assim, a taxa subiu ali de 89,2% para 90,4% num ano. Na Grande Lisboa passou de 93,5% para 94,1%. Os Açores tiveram a maior subida das nove regiões, de 98,4% para 100,2%. O Alentejo foi a única que desceu, de 102,4% para 101,8%.

Nos rapazes, a taxa é mais alta do que nas raparigas

A taxa bruta foi de 98,9% nos rapazes e de 97,6% nas raparigas em 2024/2025, uma diferença de 1,3 pontos. Os rapazes ficaram à frente em todos os anos letivos da série, desde 2014/2015. Como a taxa é bruta, isto não prova que fiquem mais raparigas fora do pré-escolar. Para isso, seria preciso comparar só as crianças inscritas de cada idade com a população dessa idade.

Fontes

Como verificámos: Os valores foram conferidos no indicador da DGEEC na base de dados do INE (atualizado a 14 de julho de 2026), ano letivo a ano letivo desde 2014/2015, por sexo e nas nove regiões NUTS II, e a fórmula na metainformação oficial. As diferenças em pontos percentuais foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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