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Educação

Mulheres são 57,8% dos diplomados, o mínimo em 29 anos letivos

Entre os inscritos, elas pesam menos, 54,5%. E nas áreas de ciência e tecnologia estão 43,6% dos homens, mas só 16,8% das mulheres.

Por André Antão

Filas de finalistas com chapéus de capelo, vistos de costas, numa cerimónia de entrega de diplomas, a preto e branco
Foto: McElspeth / Pixabay

As mulheres foram 57,8% dos diplomados do ensino superior em Portugal no ano letivo de 2024/2025. Por cada 100 homens que acabaram um curso superior, houve 137 mulheres. Em cada dez diplomados, quase seis são mulheres. Ainda assim, a proporção desceu 0,3 pontos percentuais face aos 58,1% de 2023/2024. Os números são da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), atualizados na base de dados do INE a 30 de junho de 2026.

A maioria feminina está no ponto mais baixo em 29 anos letivos

A proporção conta as mulheres que concluíram um curso superior e pediram o diploma, em percentagem de todos os diplomados. A série da DGEEC começa em 1996/1997, com 63,9%, e teve o máximo em 2001/2002, com 67,4%. O valor de agora fica 9,6 pontos abaixo desse máximo. A maior queda de um ano para o outro deu-se em 2006/2007, de 65,4% para 61,3%. O mínimo anterior era de 57,9%, em 2016/2017 e em 2021/2022, só 0,1 pontos acima do atual.

Gráfico de barras da proporção de mulheres entre os diplomados do ensino superior em Portugal: 63,9% em 1996/1997, 67,4% em 2001/2002, 61,3% em 2006/2007, 59,9% em 2011/2012, 57,9% em 2016/2017, 58,1% em 2023/2024 e 57,8% em 2024/2025.
Mulheres diplomadas no ensino superior, em percentagem de todos os diplomados, em anos letivos escolhidos da série. Fonte: DGEEC.

Há quase dez anos que a proporção mexe pouco

A descida de 2024/2025 é pequena e não muda o retrato dos últimos anos. Desde 2016/2017, a parte das mulheres entre os diplomados tem ficado entre 57,8% e 58,5%, o valor de 2020/2021. Em 2011/2012, era de 59,9%. A grande mudança deu-se antes, quando a proporção desceu dos 67,4% de 2001/2002 para 58,9% em 2008/2009. Desde então, as mulheres continuam a ser a maioria clara de quem sai das universidades e politécnicos.

Elas pesam mais entre os diplomados do que entre os inscritos

No mesmo ano letivo, as mulheres eram 54,5% dos alunos inscritos no ensino superior, também segundo a DGEEC. A parte das mulheres entre os diplomados fica 3,3 pontos acima desse valor. Ou seja, as mulheres têm mais peso entre quem termina um curso do que entre quem o frequenta. Nos inscritos, a proporção quase não mexe. Era de 54,2% em 2023/2024 e chegou aos 54,6% em 2025/2026, o ano letivo em curso. Em 2001/2002, as mulheres eram 57% dos inscritos.

Entre os homens inscritos, a parte em ciências e tecnologias é 2,6 vezes maior

A diferença entre sexos também se vê nas áreas dos cursos que frequentam. Em 2024/2025, 43,6% dos homens inscritos no ensino superior estavam em áreas de ciência e tecnologia, como a DGEEC as classifica. Entre as mulheres inscritas, a parte era de 16,8%. A proporção nos homens é assim 2,6 vezes a das mulheres. No total dos inscritos, ficou nos 29%. Em 2025/2026, o quadro mantém-se quase igual, com 43,8% nos homens e 16,8% nas mulheres.

Os Açores têm a maior proporção de mulheres, a Península de Setúbal a menor

A proporção muda bastante de região para região. Entre as nove regiões NUTS II, os Açores tiveram a mais alta em 2024/2025, com 67% de mulheres entre os diplomados. Seguiram-se o Alentejo, com 64,8%, e o Algarve, com 59,8%. No extremo oposto, a Península de Setúbal ficou nos 50%, a única região sem maioria feminina. São 17 pontos de distância face aos Açores. A Grande Lisboa e o Norte ficaram perto da média do país, com 57,7% e 57,3%.

Fontes

Como verificámos: Os valores foram conferidos nos indicadores da DGEEC na base de dados do INE, ano letivo a ano letivo desde 1996/1997, por região e para os inscritos, e a definição na metainformação oficial. As diferenças e as razões foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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