Sociedade
57,4% das mortes na estrada em Portugal em 2024 foram em vias urbanas
Portugal tem a 6.ª taxa de mortes na estrada mais alta da UE. Desde 2000, o número de vítimas caiu para um terço.
Mais de metade das mortes nas estradas de Portugal em 2024 aconteceu em vias urbanas, 355 em 618, ou seja 57,4%. No conjunto da UE, essa parte foi de 38,1%. Nas autoestradas morreram 46 pessoas. Estas contagens não medem o risco de cada tipo de via, porque não têm em conta o tráfego nem a extensão das estradas. Os dados são do Eurostat, atualizados a 27 de outubro de 2026.
Só Chipre e a Roménia têm uma parte urbana maior
Entre os 27 países da UE, Portugal tem a 3.ª maior parte de mortes em vias urbanas. Só Chipre, com 70,7%, e a Roménia, com 64,1%, ficam acima. Os metadados do Eurostat não avaliam a comparabilidade entre países destes dados. Malta, por exemplo, não regista nenhuma morte em vias urbanas. Em Espanha, apenas 27,7% das mortes aconteceram em vias urbanas, e em França 32,1%. No conjunto da UE, as vias rurais concentram 53,3% das mortes, contra 35,1% em Portugal. O Eurostat conta como urbanas as mortes dentro de localidades e fora de autoestradas.
Portugal tem a 6.ª taxa de mortes mais alta da UE
Em 2024, morreram nas estradas portuguesas 5,5 pessoas por cada 100 mil habitantes. No conjunto da UE, a estimativa provisória do Eurostat é de 4,4. Portugal fica 1,1 mortes por 100 mil habitantes acima e tem a 6.ª taxa mais alta entre os 27. A Roménia lidera com 7,8, um valor estimado, e a Suécia tem a taxa mais baixa, com 2. Em Espanha morreram 3,7 pessoas por 100 mil habitantes, cerca de um terço menos do que em Portugal.
Em 2000 morriam três vezes mais pessoas
O caminho feito desde o início do século é grande. Em 2000 morreram 1857 pessoas nas estradas portuguesas, três vezes mais do que em 2024. Até 2009, Portugal chegava às mortes a 30 dias com fatores de correção, por isso esses anos não se comparam diretamente com os seguintes. Em 2010 morreram 937 pessoas, e o mínimo da série foi em 2020, com 536 mortes. Depois, o número voltou a subir até 642 em 2023. Em 2024 desceu para 618, menos 24 pessoas, uma descida de 3,7%. A taxa por 100 mil habitantes passou de 5,8 para 5,5.
A meta europeia para 2030 ainda está longe
A UE fixou a meta de reduzir para metade as mortes nas estradas até 2030, face a 2019. Em Portugal morreram 688 pessoas em 2019, e o número caiu 10,2% até 2024. No conjunto da UE, a descida foi de 12,4%, de 22 757 para 19 933 mortes. Para reduzir a metade as mortes de 2019, Portugal teria de baixar para 344. O Eurostat conta como vítima quem morre até 30 dias depois do acidente, seja condutor, passageiro, ciclista ou peão.
Fontes
- Eurostat, Mortes em acidentes de viação por tipo de via (sdg_11_40), atualizado a 27 de outubro de 2026, número total, Portugal e UE, 2000 a 2024
- Eurostat, Mortes em acidentes de viação por tipo de via (sdg_11_40), número por tipo de via (total, autoestradas, vias urbanas, vias rurais), todos os países em 2024
- Eurostat, Mortes em acidentes de viação por tipo de via (sdg_11_40), mortes por 100 mil habitantes, total de vias, todos os países em 2023 e 2024
- Eurostat, metadados do indicador sdg_11_40 (definição de vítima mortal a 30 dias e meta da UE para 2030)
- Eurostat, metadados das estatísticas de acidentes de viação (tran_sf_road), definição dos tipos de via, comparabilidade e fatores de correção
Como verificámos: Os números de mortes e as taxas por 100 mil habitantes foram conferidos nos dados do Eurostat (tabela sdg_11_40, atualizada a 27 de outubro de 2026), para Portugal, para a UE e para os 27 países. As partes em vias urbanas, as posições e as variações foram recalculadas a partir dos valores oficiais. A definição a 30 dias e a meta para 2030 vêm dos metadados do Eurostat.