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Sociedade

Risco de pobreza cai para 15,4% em Portugal, o mais baixo da série

Com 65 ou mais anos, a taxa desceu 3,3 pontos num ano. Nos menores de 18 anos quase não mexeu. Para quem vive sozinho, o limiar foi de 8679 € por ano.

Por André Antão

Carteira de pele preta aberta sobre uma mesa de madeira, com algumas moedas de cêntimo de euro
Foto: LoboStudioHamburg / Pixabay

A taxa de risco de pobreza em Portugal desceu para 15,4% em 2025, contra 16,6% em 2024, segundo o Eurostat. Conta as pessoas com um rendimento abaixo de 60% do rendimento mediano do país, já com pensões e apoios sociais. Para quem vive sozinho, esse limiar foi de 8679 € por ano, cerca de 723 € por mês. A descida de 1,2 pontos leva a taxa ao valor mais baixo da série, que começa em 1995. Na média da União Europeia, a taxa ficou nos 16,3%.

Os números de 2025 descrevem os rendimentos de 2024

No inquérito europeu às condições de vida, o rendimento de referência é sempre o do ano civil anterior. Por isso, a taxa de 2025 retrata o dinheiro que as famílias receberam em 2024. O limiar para uma pessoa sozinha subiu de 7588 € para 8679 € por ano, mais 14,4%. Para dois adultos com dois filhos com menos de 14 anos, chegou aos 18 226 €. A taxa não mede a riqueza, mas o rendimento baixo face aos outros residentes do país. O Eurostat atualizou estes dados a 20 de outubro de 2026.

Gráfico de barras da taxa de risco de pobreza em Portugal em 2025, por idade: menos de 6 anos 14%, menos de 18 anos 17,6%, 18 a 64 anos 13,9%, 65 ou mais anos 17,8%, 75 ou mais anos 19,5%, todas as idades 15,4% e média da UE 16,3%.
Pessoas com rendimento disponível abaixo de 60% do rendimento mediano do país, depois das transferências sociais, em %. Fonte: Eurostat.

Com 65 ou mais anos, a taxa teve a maior descida

Entre os residentes com 65 ou mais anos, a taxa passou de 21,1% em 2024 para 17,8% em 2025. São menos 3,3 pontos num ano, a maior descida dos três grandes grupos de idade. A partir dos 75 anos, a taxa caiu de 24,3% para 19,5%. Mesmo assim, com 65 ou mais anos, a taxa portuguesa fica acima da média europeia para a mesma idade, de 16,3%. As mulheres com 65 ou mais anos estão nos 19,4%, contra 15,8% nos homens.

Nos menores de 18 anos, a taxa quase não mexeu

Entre os menores de 18 anos, a taxa ficou nos 17,6%, contra 17,8% em 2024. Nas crianças com menos de 6 anos, a descida foi maior, de 17,6% para 14%. Dos 18 aos 24 anos, a taxa subiu ligeiramente, de 17,6% para 17,9%. Os três grupos continuam abaixo da média da UE, onde os menores de 18 anos chegam aos 19,6%. Na idade ativa, dos 18 aos 64 anos, a taxa portuguesa é de 13,9%.

Sem os apoios sociais, a taxa seria de 20,8%

O Eurostat calcula também a taxa antes dos apoios sociais, como os subsídios de desemprego, os apoios à família, à habitação e à doença. Nesse cálculo, as pensões contam como rendimento. Em Portugal, a taxa seria de 20,8% em 2025, e os apoios baixam-na em 5,4 pontos. Na média da UE, a taxa desce de 24,4% para 16,3%, uma redução de 8,1 pontos. Em pontos, o efeito dos apoios é menor em Portugal do que na média europeia.

Portugal fica a meio da tabela europeia

Entre os 27 países da UE, Portugal tem a 13.ª taxa mais baixa em 2025. A Chéquia tem a mais baixa, com 9,6%, e a Lituânia a mais alta, com 22,6%, um valor provisório. Espanha fica nos 19,5% e França nos 16,3%. Há dez anos, em 2015, a taxa portuguesa estava nos 19,5%. Em 2021, o inquérito sobre os rendimentos de 2020 marcou 18,4%, e desde então a taxa desceu 3 pontos.

Fontes

Como verificámos: As taxas foram conferidas nos dados do Eurostat (ilc_li02, ilc_li01 e ilc_li10, atualizados em outubro de 2026), para Portugal, para a média da UE, para os 27 países e por idade e sexo. A posição de Portugal resulta da contagem dos 27 países com valor para 2025. As diferenças em pontos e a subida do limiar foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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