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Sociedade

71,2% vivem em casa própria e a renda de mercado já chega a 16,3%

Desde o máximo de 2021, a casa própria perdeu 7,1 pontos, sobretudo entre quem tem crédito à habitação. Abaixo do limiar de pobreza, só pouco mais de metade vive em casa sua.

Por André Antão

Casas brancas com telhados de telha vermelha espalhadas por uma encosta de uma vila em Portugal, entre árvores, sob céu azul
Foto: maja7777 / Pixabay

Viviam em casa própria 71,2% dos residentes em Portugal em 2025, segundo os dados do Eurostat atualizados a 20 de outubro de 2026. Um ano antes eram 73,4%, o que dá menos 2,2 pontos. Na prática, quase três em cada dez pessoas viviam numa casa que não era sua. Eram 28,8%, entre renda a preço de mercado, renda reduzida e casa cedida sem pagar.

A casa própria perdeu 7,1 pontos desde o máximo de 2021

O valor mais alto da série foi o de 2021, com 78,3%. Desde então, a proporção desceu todos os anos, para 77,8% em 2022, 76% em 2023 e 73,4% em 2024. Em quatro anos, a casa própria perdeu 7,1 pontos. Em 2021 o Eurostat mudou o método do inquérito em Portugal, por isso a comparação com os anos anteriores é só indicativa. Mesmo assim, os 71,2% de 2025 são o valor mais baixo desde o início da série, em 2004, quando eram 74,6%.

Gráfico de barras da distribuição dos residentes em Portugal em 2025 pelo regime de ocupação da casa: casa própria sem crédito 39,7%, casa própria com crédito 31,5%, renda a preço de mercado 16,3%, renda reduzida ou casa cedida 12,5% e casa própria no total 71,2%.
Pessoas por regime de ocupação da casa onde vivem, em % da população. As quatro primeiras barras somam 100%. Fonte: Eurostat.

A maior parte da descida vem de quem tem crédito à habitação

Em 2025, 31,5% dos residentes viviam numa casa própria ainda a pagar um empréstimo ou uma hipoteca. Em 2021 eram 37,5%, o que dá menos 6 pontos. A casa própria sem crédito também recuou, mas muito menos, de 40,8% para 39,7%. Assim, mais de oito em cada dez pontos perdidos pela casa própria desde 2021 vêm de quem tem crédito. Ainda assim, viver numa casa com crédito continua a ser mais comum em Portugal do que na média da UE, onde fica nos 24,8%.

Quase um em cada seis já paga renda a preço de mercado

Os inquilinos com renda a preço de mercado eram 16,3% dos residentes em 2025, contra 14,4% em 2024 e 10,9% em 2021. Em quatro anos, a proporção subiu 5,4 pontos. Quem paga uma renda reduzida ou vive numa casa cedida sem pagar passou de 10,8% para 12,5% no mesmo período. Na média da UE, a renda a preço de mercado abrange 20,8% das pessoas. Portugal continua abaixo, mas a distância encolheu de 9,4 pontos em 2021 para 4,5 pontos em 2025.

Abaixo do limiar de pobreza, só 53,1% vivem em casa própria

Entre as pessoas em risco de pobreza, com um rendimento abaixo de 60% do valor mediano do país, 53,1% viviam em casa própria em 2025. Acima desse limiar, a proporção sobe para 74,5%, ou seja, mais 21,4 pontos. Abaixo do limiar, 23,9% pagavam renda a preço de mercado e 23% tinham renda reduzida ou casa cedida. Acima do limiar, a renda de mercado fica nos 14,9%. Abaixo do limiar, a casa própria oscila mais de ano para ano, com 56% em 2023 e 60,4% em 2024.

Portugal fica em 14.º lugar entre os 27 países da UE

Na casa própria, treze países da UE ficam acima de Portugal em 2025. A Eslováquia lidera com 93,8%, seguida da Roménia, com 93,2%. No outro extremo está a Alemanha, o único país abaixo de metade, com 47,2%. A vizinha Espanha fica um pouco acima de Portugal, com 73,6%. Na média da UE, a casa própria chega aos 68,5%, contra 69,8% em 2021, uma descida bem mais curta do que a portuguesa.

Fontes

Como verificámos: As percentagens foram conferidas nos dados do Eurostat (tabela ilc_lvho02, atualizada a 20 de outubro de 2026), para Portugal e para a média da UE, por regime de ocupação, por situação face ao limiar de pobreza e pelos 27 países. A posição de Portugal foi contada entre todos os países da UE. As diferenças em pontos foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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