Sociedade
12,7% vivem em casas sobrelotadas, mais de um em cada cinco menores
Em Portugal, com 65 ou mais anos, só 4% vivem numa casa com divisões a menos. Na média da UE, a sobrelotação chega aos 16,8%, e na Roménia aos 40,4%.
Uma casa com menos divisões do que o agregado precisa era a realidade de 12,7% dos residentes em Portugal em 2025. Um ano antes eram 11,2%, o que dá mais 1,5 pontos, segundo o Eurostat. Para quem lá vive, isto pode querer dizer irmãos adolescentes de sexos diferentes na mesma divisão ou adultos sem um espaço só seu. Na média da União Europeia, a proporção ficou nos 16,8%, 4,1 pontos acima da portuguesa. Os dados vêm do inquérito às condições de vida, na tabela que o Eurostat atualizou a 20 de outubro de 2026.
Um casal com dois filhos pequenos precisa de três divisões
Para decidir se uma casa está sobrelotada, o Eurostat conta uma divisão para o agregado, mais uma por cada casal. Junta uma por cada pessoa com 18 ou mais anos que não vive em casal. Os filhos dos 12 aos 17 anos podem partilhar uma divisão aos pares, se forem do mesmo sexo. Abaixo dos 12 anos, basta uma divisão para cada duas crianças. Assim, um casal com dois filhos com menos de 12 anos precisa de pelo menos três divisões. Se os filhos tiverem 12 a 17 anos e forem de sexos diferentes, já precisa de quatro.
Nos menores, a proporção é mais de cinco vezes a dos idosos
Entre os menores de 18 anos, 21,4% viviam numa casa sobrelotada em 2025, mais de um em cada cinco. Em 2024 eram 19,9%. A proporção cresce com a idade das crianças: 18,4% abaixo dos 6 anos, 21,4% dos 6 aos 11 e 23,9% dos 12 aos 17. Dos 18 aos 64 anos fica nos 13,9%, e com 65 ou mais anos desce para 4%. Na média da UE, a sobrelotação nos menores chega aos 25,3%.
Abaixo do limiar de pobreza, a proporção quase duplica
O Eurostat separa também as pessoas pelo rendimento do agregado. Abaixo do limiar de pobreza, fixado em 60% do rendimento mediano, 21,3% viviam numa casa sobrelotada em 2025. Acima desse limiar, a proporção ficava nos 11,1%. Nos menores de 18 anos em risco de pobreza, chega aos 37,6%, mais de um em cada três. Na média da UE, a sobrelotação de quem vive abaixo do limiar é ainda mais alta, de 29,8%.
Desde 2011, só 2023 teve um valor mais alto
A série do Eurostat para Portugal começa em 2004, com 15,3%, e o valor mais alto foi de 16,5%, em 2005. Com algumas subidas pelo meio, a proporção caiu depois até aos 9% em 2020, o mínimo da série. Seguiram-se anos de altos e baixos: 10,6% em 2021, 9,4% em 2022 e 12,9% em 2023. Desde 2011, só em 2023 o valor foi mais alto do que o de 2025. Ainda assim, a proporção atual fica 3,8 pontos abaixo do pico de 2005.
Catorze países da UE têm mais sobrelotação do que Portugal
Entre os 27 países da União Europeia, todos com dados de 2025, Portugal tem o 15.º valor mais alto. A Roménia lidera com 40,4%, seguida da Letónia, com 38,9%, e da Bulgária, com 32,5%. No extremo oposto ficam Chipre, com 2,2%, e os Países Baixos, com 4,1%. Espanha, com 9,5%, e França, com 10,8%, estão abaixo de Portugal. A média europeia quase não mexeu, de 16,9% em 2024 para 16,8% em 2025.
Fontes
- Eurostat, Overcrowding rate by age, sex and poverty status, EU-SILC survey (ilc_lvho05a), atualizado a 20 de outubro de 2026
- Eurostat, Overcrowding rate (ilc_lvho05a), todos os países, 2025
- Eurostat, Overcrowding rate (ilc_lvho05a), por idade e limiar de pobreza, Portugal e UE
- Eurostat, Overcrowding rate (ilc_lvho05a), série de Portugal desde 2004
- Eurostat, Statistics Explained, Glossary: Overcrowding rate
Como verificámos: As percentagens foram conferidas nos dados do Eurostat (tabela ilc_lvho05a, atualizada a 20 de outubro de 2026), para Portugal, para a média da UE, por idade, por limiar de pobreza e para os 27 países. A posição de Portugal foi contada entre todos os países da UE. As diferenças em pontos e os rácios foram recalculados a partir dos valores oficiais.