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Educação

Escolarização no secundário cai para 116,9% pelo 3.º ano seguido

Desde o máximo de 124,7%, em 2021/2022, a taxa perdeu 7,8 pontos. O Centro lidera e os Açores são a única região abaixo dos 100%.

Por André Antão

Mão de um estudante a segurar uma régua sobre um caderno de argolas, com uma caneta na outra mão, numa mesa de madeira
Foto: StockSnap / Pixabay

Em Portugal, a taxa bruta de escolarização no ensino secundário desceu pelo terceiro ano letivo seguido e ficou nos 116,9% em 2024/2025. No ano anterior era de 118,1%, e é preciso recuar a 2015/2016 para encontrar um valor mais baixo. Em termos concretos, havia 116,9 alunos matriculados no secundário por cada 100 jovens residentes dos 15 aos 17 anos. Os dados são da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Foram atualizados na base de dados do INE a 14 de julho de 2026.

A taxa passa dos 100% porque conta alunos de todas as idades

A DGEEC divide os alunos matriculados no secundário pela população residente com 15 a 17 anos, a idade normal deste nível. A nota oficial do indicador diz que conta os alunos de todas as ofertas de educação e formação do secundário. Entram os cursos científico-humanísticos e os profissionais, com alunos de qualquer idade. Um aluno mais velho que repetiu anos ou um adulto que voltou à escola contam em cima, mas não em baixo. Por isso, os 116,9% não dizem quantos jovens dos 15 aos 17 anos estão de facto na escola.

Gráfico de barras da taxa bruta de escolarização no ensino secundário em Portugal, por ano letivo: 117,5% em 2014/2015, 114,7% em 2015/2016, 118,3% em 2016/2017, 120,8% em 2017/2018, 124% em 2018/2019, 123,3% em 2019/2020, 124,3% em 2020/2021, 124,7% em 2021/2022, 121,2% em 2022/2023, 118,1% em 2023/2024 e 116,9% em 2024/2025.
Alunos matriculados no ensino secundário, em todas as ofertas de educação e formação, em percentagem da população residente com 15 a 17 anos. Pode passar dos 100%. Fonte: DGEEC.

Desde o máximo de 2021/2022, a taxa perdeu 7,8 pontos

Em 2014/2015, o primeiro ano letivo da série, a taxa era de 117,5%. Desceu para 114,7% no ano seguinte e depois subiu até aos 124% em 2018/2019. O máximo chegou em 2021/2022, com 124,7%. Desde então caiu para 121,2%, para 118,1% e agora para 116,9%, menos 7,8 pontos percentuais em três anos letivos. A taxa desce com menos alunos matriculados ou com mais jovens dos 15 aos 17 anos, e o indicador não separa as duas causas.

Três anos letivos foram revistos com a nova população

Os valores de 2021/2022 a 2023/2024 foram revistos depois de o INE ter revisto as estimativas da população residente, a 22 de junho de 2026. Essa população é a conta de baixo da taxa, a dos jovens dos 15 aos 17 anos. Os valores desses anos podem não coincidir com os que circularam antes. Os 118,1% de 2023/2024 e o máximo de 124,7% em 2021/2022 já são valores revistos. Quem compara com números antigos deve usar a série atual do INE.

As raparigas passam dos 120%, os rapazes ficam nos 113,8%

Em 2024/2025, a taxa foi de 120,1% nas raparigas e de 113,8% nos rapazes, uma diferença de 6,3 pontos. Face a 2023/2024, desceu 0,7 pontos nas raparigas e 1,7 pontos nos rapazes. Em todos os anos letivos da série, desde 2014/2015, as raparigas tiveram a taxa mais alta. Como a taxa é bruta, isto não prova que fiquem mais rapazes fora do secundário. Mostra que há mais raparigas matriculadas, de qualquer idade, por cada 100 residentes do mesmo sexo dos 15 aos 17 anos.

Os Açores são a única região abaixo dos 100%

Nas regiões, conta a localização da escola do aluno. Em 2024/2025, o Centro teve a taxa mais alta, 121,8%, seguido do Norte, com 119,3%, e da Grande Lisboa, com 118,4%. No fim da lista ficaram a Península de Setúbal, com 107,9%, o Algarve, com 107,5%, e os Açores, com 99,4%. Nos Açores, a taxa caiu 5,4 pontos num ano, a maior descida das nove regiões. Só o Centro e a Madeira subiram.

Em dez anos, o mapa mudou mais do que o total do país, que ficou só 0,6 pontos abaixo de 2014/2015. Nesse ano, a Grande Lisboa liderava, com 128,4%, e desde então perdeu 10 pontos. O Norte fez o caminho inverso, de 114,8% para 119,3%, e o Centro passou de 118,6% para 121,8%.

Fontes

Como verificámos: Os valores foram conferidos no indicador da DGEEC na base de dados do INE (atualizado a 14 de julho de 2026), ano letivo a ano letivo desde 2014/2015, por sexo e nas nove regiões NUTS II, e a fórmula na metainformação oficial. As diferenças em pontos percentuais foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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