Economia
Dívida das famílias sobe para 72,9% do rendimento disponível
A dívida das famílias cresce a mais do dobro do ritmo da dívida das empresas. O peso no rendimento continua, ainda assim, 40 pontos abaixo do máximo de 2011.
No fim de junho de 2026, a dívida das famílias em Portugal equivalia a 72,9% do seu rendimento disponível, segundo o Banco de Portugal. Dito de outra forma, por cada 100 € que recebem num ano depois de impostos, as famílias devem cerca de 73 €. O rácio sobe há seis trimestres seguidos, depois de ter descido até 68,9% no fim de 2024. A dívida cresce, portanto, mais depressa do que o rendimento que a paga. O Banco de Portugal atualizou estes dados a 23 de outubro de 2026.
A dívida cresce ao ritmo mais rápido da série
Em agosto de 2026, a dívida das famílias crescia a um ritmo anual de 9,7%. É a subida anual mais forte desta série do Banco de Portugal, que começa em dezembro de 2008. Em agosto de 2025, o ritmo ficava nos 7,9%. No fim de 2023, a dívida ainda descia 0,8% num ano, porque as famílias pagavam mais do que pediam emprestado. O crescimento voltou em março de 2024 e, desde então, acelerou em quase todos os meses.
A dívida das famílias cresce a mais do dobro do ritmo das empresas
No mesmo mês, a dívida das empresas não financeiras crescia 4,6% num ano. O ritmo das famílias foi, assim, mais do dobro. Os empréstimos do setor financeiro às famílias, onde entram o crédito à habitação e o crédito ao consumo, subiram 9,9% num ano. Para quem tem um empréstimo, o rácio não muda a prestação. Mostra, sim, que no conjunto das famílias a dívida aumenta mais depressa do que o rendimento.
O peso da dívida continua longe do máximo de 2011
Os 72,9% de junho ficam muito abaixo do máximo da série, 113,1% em setembro de 2011. A distância é de 40 pontos. Entre 2012 e 2024, o peso da dívida desceu de forma quase contínua. A interrupção mais longa foi uma subida entre meados de 2020 e o início de 2021. O fim de 2024 marcou o valor mais baixo desde que a série começou, em dezembro de 2007. Em percentagem do PIB, a dívida das famílias passou de 54,9% no fim de 2024 para 58% em junho de 2026.
Num ano, o rácio subiu 3 pontos
Em junho de 2025, a dívida valia 69,9% do rendimento disponível. Um ano depois, valia 72,9%, mais 3 pontos percentuais. A diferença em pontos não é uma subida de 3% da dívida. Mede só quanto o peso da dívida cresceu face ao rendimento. O rendimento disponível é o dinheiro que fica às famílias depois dos impostos e das contribuições, já com as pensões e outros apoios. Os números incluem também as instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias, como as associações.
Fontes
- Banco de Portugal, BPstat, Endividamento do setor não financeiro: endividamento dos particulares em % do rendimento disponível (série 12457926) e em % do PIB (série 12457925), trimestral, atualizado a 23 de outubro de 2026, dezembro de 2007 a junho de 2026
- Banco de Portugal, BPstat, Endividamento do setor não financeiro: taxa de variação anual do endividamento dos particulares (série 12457867), das empresas não financeiras (série 12457865) e dos empréstimos do setor financeiro aos particulares (série 12561048), mensal, atualizado a 23 de outubro de 2026
Como verificámos: Os rácios e as taxas de crescimento foram conferidos nas séries do Banco de Portugal (BPstat, atualizadas a 23 de outubro de 2026), trimestre a trimestre desde dezembro de 2007 e mês a mês desde dezembro de 2008. As diferenças em pontos foram recalculadas a partir dos valores oficiais. Provisório: falta a verificação independente.