Emprego
Mulheres ganham em média 7% menos por hora do que os homens
É a 8.ª diferença mais pequena dos 27. Na saúde e apoio social é de 29,6%, e na construção são as mulheres que ganham mais por hora.
As mulheres que trabalham por conta de outrem em Portugal ganharam, em média, menos 7% por hora do que os homens em 2024. O valor do Eurostat ainda é provisório e exclui a administração pública e as empresas com menos de 10 trabalhadores. Por cada 100 € que os homens ganham, em média, por hora de trabalho, as mulheres ganham 93 €. Em 2023, a diferença estava nos 8,6%. Na média da União Europeia, ficou nos 11,1% em 2024. O Eurostat atualizou esta série a 27 de outubro de 2026.
Portugal tem a 8.ª diferença mais pequena dos 27
Os 27 países da União Europeia têm valor para 2024, na maioria provisório. Portugal tem a 8.ª diferença mais pequena, e Espanha, com 7,3%, vem logo a seguir. A Itália fica nos 5,3%. O Luxemburgo é o único país onde as mulheres ganham mais, em média mais 0,8% por hora do que os homens. No extremo oposto estão a Estónia, com 18,8%, e a Chéquia, com 18,5%. A Alemanha regista 15,6% e a França 11,8%.
A diferença recuou depois da subida de 2023
A série portuguesa começa em 2007, com 8,5%. A diferença subiu até aos 16% em 2015, o valor mais alto da série, e desceu quase sempre nos anos seguintes. Em 2022 chegou aos 6,3%, o mínimo. Em 2023 voltou a subir, para 8,6%, e em 2024 recuou 1,6 pontos. Na média da UE, a descida foi mais regular, de 15,8% em 2010 para 11,1% em 2024. São menos 4,7 pontos em 14 anos.
A diferença muda muito de setor para setor
O valor nacional junta setores muito diferentes. A maior diferença está nas atividades artísticas, de espetáculos e recreativas, com 48,5%. Nas atividades de saúde e apoio social, as mulheres ganham em média menos 29,6% por hora do que os homens. Nas atividades financeiras e de seguros, a diferença é de 20,1%, e nas indústrias transformadoras de 19,8%. No comércio fica nos 11,1%. Na construção, o sinal inverte-se: as mulheres ganham em média mais 14,7% por hora. Por idades, a maior diferença está entre os 45 e os 54 anos, com 12,9%, contra 6,6% dos 25 aos 34 anos.
O indicador não compara o mesmo trabalho
Este valor é a diferença salarial na forma «não ajustada». Compara o salário bruto médio por hora dos homens com o das mulheres, seja qual for a profissão, o setor ou o horário. Não diz, por isso, quanto menos ganha uma mulher pelo mesmo trabalho. Segundo o Eurostat, parte da diferença vem de homens e mulheres trabalharem em setores e profissões diferentes. O cálculo inclui as horas extraordinárias pagas, mas não os prémios irregulares.
A administração pública e as empresas pequenas ficam de fora
O indicador cobre a indústria, a construção e os serviços, mas exclui a administração pública, a defesa e a segurança social obrigatória. Também deixa de fora as empresas com menos de 10 trabalhadores. A base é o inquérito europeu à estrutura dos ganhos, feito de quatro em quatro anos, o último em 2022. Nos anos seguintes, os valores são estimativas nacionais e ficam provisórios até ao próximo inquérito. Podem, por isso, ser revistos.
Fontes
- Eurostat, Gender pay gap in unadjusted form by NACE Rev. 2 activity (earn_gr_gpgr2), atualizado a 27 de outubro de 2026
- Eurostat, Gender pay gap in unadjusted form by age and NACE Rev. 2 activity (B-S except O) (earn_gr_gpgr2ag), atualizado a 2 de março de 2026
- Eurostat, Gender pay gap in unadjusted form, metadados (earn_grgpg2_esms), atualizados a 27 de fevereiro de 2026
Como verificámos: As percentagens foram conferidas nos dados do Eurostat (séries earn_gr_gpgr2 e earn_gr_gpgr2ag), para Portugal, para a média da UE, para os 27 países, por setor e por idade. Os valores de 2023 e 2024 são provisórios. O âmbito, sem administração pública e sem empresas com menos de 10 trabalhadores, foi confirmado nos metadados do Eurostat. A posição de Portugal foi contada entre os 27 países com valor e as diferenças em pontos foram recalculadas.