Emprego
IRS e Segurança Social levam 22,8% do salário médio de um solteiro
Do bruto de 27 768 € por ano sobram 21 449 € limpos. É menos do que em 17 países da UE, mas só três descontam uma parte menor do bruto.
Um solteiro sem filhos que ganhe o salário médio em Portugal entrega 22,8% do bruto ao IRS e à Segurança Social. As contas são do Eurostat, para 2025. Do bruto de 27 768 € por ano ficam 21 449 € líquidos. Repartido por 14 pagamentos, dá cerca de 1 532 € limpos por mês. Para quem ganha perto desse valor, dá uma boa ideia do que fica pelo caminho entre o bruto e o líquido. O Eurostat publicou estes valores a 19 de outubro de 2026.
É um exemplo calculado e não a média do que todos recebem
O Eurostat não pergunta a ninguém quanto leva para casa. Parte do salário médio bruto do país, tirado sobretudo das contas nacionais. Depois aplica-lhe as regras do IRS, da Segurança Social e dos abonos em vigor no início do ano. O bruto inclui os subsídios de férias e de Natal e os prémios. O resultado mostra o que sobraria a uma pessoa nessa situação exata. Quem ganha menos, tem filhos ou vive em casal fica com outra parte do bruto. Por isso este número não é a média do que recebem todos os trabalhadores.
Os descontos pesam menos do que na maior parte da UE
Dos 22,8% que saem do bruto, 11,8% vão para o IRS e 11% para a Segurança Social. Na média da UE, impostos e contribuições do trabalhador levam 31,4% do salário médio bruto. Na Alemanha chegam aos 37,0%, na Grécia aos 27,5% e em França aos 27,1%. Em Espanha ficam nos 22,9%, quase o mesmo que em Portugal. Só três países da UE descontam uma parte menor neste caso: Chipre, Chéquia e Bulgária. Portugal tem assim a 4.ª parte mais baixa entre os 27.
No que fica no bolso, Portugal está em 18.º lugar
O líquido de 21 449 € fica 28,4% abaixo da média da UE, que é de 29 954 € por ano. Dezassete países ficam à frente, com a Grécia logo acima, nos 21 498 €. O Luxemburgo lidera com 55 877 € e a Roménia fecha a lista com 13 877 €. Os preços também contam, e o Eurostat converte os valores em paridades de poder de compra (PPS), uma unidade que desconta essas diferenças. Nessa medida, Portugal chega a 84% da média da UE, mas mantém o 18.º lugar.
Com dois filhos e um só salário, o líquido sobe para 25 675 €
O mesmo salário médio rende mais a um casal com dois filhos em que só um dos dois trabalha. O IRS desce para 373 € por ano e a família recebe 1 335 € em abonos. O líquido fica nos 25 675 €, cerca de 4 226 € acima do solteiro. A contribuição para a Segurança Social é a mesma nos dois casos, 3 054 € por ano. Na média da UE, este casal leva para casa 36 979 € por ano.
O líquido subiu 6,7% num ano, num método novo desde 2024
Em 2024, o mesmo solteiro ficava com 20 099 € líquidos, e o bruto era de 26 052 €. O líquido subiu 6,7% e o bruto 6,6%, em euros correntes e sem descontar a inflação. Na média da UE, a subida do líquido foi de 4,1%. Até 2023, as contas eram feitas pela OCDE. Desde 2024, quem as faz é o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, e o Eurostat assinala essa mudança de método. Por isso, os valores de 2023 e anteriores não se comparam diretamente com estes.
Fontes
- Eurostat, Salário líquido anual (earn_nt_net), atualizado a 19 de outubro de 2026, euros, solteiro sem filhos e casal com dois filhos com o salário médio, Portugal e UE, 2024 e 2025
- Eurostat, Salário líquido anual (earn_nt_net), euros, salário bruto, impostos, contribuições e líquido do solteiro sem filhos com o salário médio, todos os países em 2025
- Eurostat, Salário líquido anual (earn_nt_net), em paridades de poder de compra (PPS), solteiro sem filhos com o salário médio, todos os países em 2025
- Eurostat, metadados de Net earnings and tax rates (earn_net_esms): definições, método e mudança de entidade que calcula os dados em 2024
Como verificámos: Os valores em euros e em PPS foram conferidos nos dados do Eurostat (tabela earn_nt_net, atualizada a 19 de outubro de 2026), para Portugal, para a média da UE e para os 27 países. As percentagens de impostos e contribuições, as variações e as posições foram recalculadas a partir dos valores oficiais, e a mudança de método de 2024 foi confirmada nos metadados do Eurostat.