Saúde
2,5% ficaram sem cuidados médicos e a espera já supera o custo
No quinto da população com menos rendimento, a proporção chega aos 4,2%, contra 1% no quinto com mais rendimento. Nas mulheres, fica nos 3,1%.
Uma em cada 40 pessoas com 16 ou mais anos em Portugal, 2,5%, disse ter ficado sem cuidados médicos em 2025. O motivo foi o custo, a distância ou a lista de espera. A proporção é igual à de 2024 e fica 0,1 pontos acima da média da União Europeia, de 2,4%. Para quem precisa de uma consulta ou de um exame, o motivo mais citado já não é o preço, mas a espera. Os números vêm do inquérito europeu às condições de vida, e o Eurostat atualizou a tabela a 20 de outubro de 2026.
A lista de espera passou à frente do custo
Em 2025, 1,5% dos residentes com 16 ou mais anos apontaram a lista de espera como motivo principal. O custo ficou nos 1% e a distância nos 0,1%. Um ano antes, a espera e o custo empatavam, com 1,2% cada. Em 2014, o custo era citado por 3% e a espera por apenas 0,4%. Desde então, o peso do preço caiu para um terço e o da espera quase quadruplicou. Na média da UE, a espera também lidera, com 1,2%, contra 1% do custo. Cada pessoa indica um só motivo principal, e os valores arredondados podem não somar 2,5%.
Quem tem menos rendimento fica mais vezes sem cuidados
O Eurostat divide a população em cinco grupos do mesmo tamanho, do rendimento mais baixo ao mais alto. No quinto com menos rendimento, 4,2% ficaram sem cuidados médicos em 2025, contra 4,8% em 2024. No quinto com mais rendimento, a proporção é de 1%, cerca de um quarto. Os três grupos do meio ficam nos 3,5%, 2,3% e 1,7%. Mesmo entre quem ganha menos, a espera pesa mais do que o preço, com 2,1% contra 1,9%. Na média da UE, os dois extremos ficam nos 3,7% e 1,4%.
As mulheres relatam mais falhas do que os homens
Entre as mulheres com 16 ou mais anos, 3,1% disseram ter ficado sem cuidados médicos em 2025, contra 2,9% em 2024. Nos homens, a proporção desceu de 2% para 1,8%. A distância entre os dois grupos chega assim aos 1,3 pontos. Na média da UE, as mulheres ficam nos 2,8% e os homens nos 2%. Os dados mostram a diferença, mas não dizem se ela resulta de mais necessidades ou de mais obstáculos no acesso.
Onze países da UE têm valores mais altos do que Portugal
Dos 27 países da UE, 11 têm uma proporção mais alta do que Portugal e 14 têm uma mais baixa. A Itália regista o mesmo valor, 2,5%. A Grécia tem o valor mais alto, com 11,5%, seguida da Finlândia, com 7,8%, e da Estónia, com 7,7%. Em Chipre e em Malta, só 0,1% relataram esta situação. Espanha fica nos 1,6% e França nos 3,7%. O Eurostat pede cautela nestas comparações, porque a organização dos serviços de saúde e as expectativas variam de país para país.
O valor está abaixo do pico de 2014, mas acima do de 2020
A série do Eurostat para Portugal começa em 2008. O valor mais alto foi de 3,5%, em 2014, e o mais baixo da última década foi de 1,6%, em 2020. Depois, a proporção subiu até aos 2,9% em 2022 e desceu para 2,5% em 2024 e em 2025. Na média da UE, passou de 1,6% em 2017 para 2,4% em 2025. É uma resposta declarada: cada pessoa avalia por si se precisou de um exame ou tratamento. A pergunta exclui os cuidados dentários e conta quem não teve o cuidado e quem nem o procurou.
Fontes
- Eurostat, Self-reported unmet need for medical examination and care by sex (sdg_03_60), atualizado a 20 de outubro de 2026
- Eurostat, Self-reported unmet needs for medical examination by sex, age, main reason declared and income quintile (hlth_silc_08), atualizado a 20 de outubro de 2026
- Eurostat, Self-reported unmet need for medical examination and care, metadados (sdg_03_60_esmsip2)
Como verificámos: As percentagens foram conferidas nos dados do Eurostat (séries sdg_03_60 e hlth_silc_08, atualizadas a 20 de outubro de 2026), para Portugal, para a média da UE, para os 27 países, por motivo, por quinto de rendimento e por sexo. A posição de Portugal foi contada entre os 27 países, todos com valor para 2025. As diferenças em pontos e os rácios foram recalculados a partir dos valores oficiais.