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Demografia

59,2% dos bebés nascem fora do casamento em Portugal

Portugal tem a 3.ª proporção mais alta entre os países da UE com dados. Desde 2015 que mais de metade dos bebés nasce fora do casamento.

Por André Antão

Pés de um bebé recém-nascido num cesto de vime, com uma manta azul desfocada ao fundo
Foto: FeeLoona / Pixabay

Em Portugal, 59,2% dos bebés nascidos em 2024 tiveram mães que não estavam casadas na altura do parto. Na prática, quase seis em cada dez nascimentos já acontecem fora do casamento. Isto não quer dizer que os pais destas crianças não vivam juntos. O indicador do Eurostat conta todas as mães não casadas, e entre elas estão as que vivem com o companheiro sem casar. Os dados foram publicados pelo Eurostat no fim de setembro de 2026.

Portugal tem a 3.ª proporção mais alta entre os países da UE com dados

Na média da UE, 41,1% dos bebés nasceram fora do casamento em 2024. Portugal fica 18,1 pontos acima e tem a 3.ª proporção mais alta entre os 22 países com dados. Só a Bulgária, com 61,9%, e a França, com 59,7%, ficam acima. Em Espanha, a proporção é de 50%, e a Grécia tem o valor mais baixo, com 9,8%. A Bélgica, a Dinamarca, a Irlanda, Chipre e Malta ainda não têm valor para 2024.

Nascimentos fora do casamento em Portugal: 14,7% em 1990, 22,2% em 2000, 41,3% em 2010, 57,9% em 2020 e 59,2% em 2024.
Nados-vivos de mães que não estavam casadas na altura do parto, em % do total de nados-vivos. Fonte: Eurostat.

Desde 2015, mais de metade dos bebés nasce fora do casamento

Em 1990, só 14,7% dos nascimentos em Portugal aconteciam fora do casamento. A proporção subiu quase todos os anos e passou a barreira dos 50% em 2015, com 50,7%. No ano anterior, ainda ficava nos 49,3%. Em 34 anos, a proporção ficou cerca de quatro vezes maior. Em 2013, a média da UE estava nos 39,6%, contra 47,6% em Portugal. O Eurostat não tem valores europeus de 2014 a 2022.

Depois do máximo de 2022, a proporção desceu dois anos seguidos

O valor mais alto da série chegou em 2022, com 60,2% dos nascimentos fora do casamento. Em 2023 a proporção desceu para 59,5%, e em 2024 para 59,2%. A descida é pequena, de 1 ponto em dois anos, e não muda a tendência longa. Em 2021, a proporção tinha chegado aos 60% pela primeira vez. A descida de 2023 foi a primeira de um ano para o outro desde 1990.

As mães têm o primeiro filho mais tarde

Os mesmos dados do Eurostat mostram outras mudanças na forma de ter filhos. Em 2024, as mães em Portugal tinham em média 30,3 anos no nascimento do primeiro filho, contra 27,1 anos em 2004. Na média da UE, a idade era de 29,9 anos, segundo uma estimativa provisória do Eurostat. Em 2024, o índice sintético de fecundidade em Portugal foi de 1,41 filhos por mulher. Fica um pouco acima dos 1,34 estimados para a média europeia, e acima dos 1,24 de Portugal em 2014.

Fontes

Como verificámos: As percentagens foram conferidas nos dados do Eurostat (tabela demo_find, atualizada no fim de setembro de 2026), para Portugal, para a média da UE e para todos os países com dados em 2024. A posição de Portugal e as diferenças foram recalculadas a partir dos valores oficiais, e a definição foi confirmada no glossário do Eurostat.

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