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Energia

Dependência energética desce para 64,5%, a mais baixa desde 1990

No petróleo e no gás natural, Portugal compra lá fora quase tudo. Desde o máximo de 2005, a dependência total desceu 24 pontos.

Por André Antão

Torres metálicas, tanques e tubagens de uma refinaria de petróleo contra um céu azul
Foto: SatyaPrem / Pixabay

Perto de dois terços da energia disponível em Portugal em 2024 vieram do estrangeiro, em termos líquidos, uma dependência energética de 64,5%. É o valor mais baixo da série do Eurostat, que começa em 1990, e fica 2,3 pontos abaixo de 2023. Na prática, o país continua a importar, em termos líquidos, a maior parte da energia de que dispõe. A distância para o máximo de 2005 é de 24 pontos. O Eurostat publicou estes dados em julho de 2026.

Portugal depende mais do exterior do que a média da UE

Na média da UE, a dependência energética foi de 57,3% em 2024. Portugal fica 7,2 pontos acima e é o 12.º país mais dependente entre os 27. Malta lidera com 98,4%, porque quase toda a energia que usa vem de fora. Em Espanha, a dependência chega aos 68,9%, e na Alemanha fica nos 66,8%. A Estónia tem o valor mais baixo da UE, com 4,6%, e a França fica nos 41,7%.

Dependência energética de Portugal: 83,6% em 1990, 88,6% em 2005, 70,2% em 2014, 71,3% em 2022 e 64,5% em 2024.
Importações líquidas de energia em % da energia bruta disponível no país. Fonte: Eurostat.

Em 2005, a dependência chegou aos 88,6%

O valor mais alto da série em Portugal foi registado em 2005, com 88,6% da energia vinda do estrangeiro. Desde então, a dependência desceu 24 pontos. Em 1990, estava nos 83,6%, e em 2014 tinha descido para 70,2%. Em 2022 estava nos 71,3%, antes de cair para 66,9% em 2023 e 64,5% em 2024. Entre 2005 e 2024, a descida não foi contínua, com subidas em vários anos.

O petróleo e o gás natural vêm quase todos de fora

A dependência é muito maior no petróleo e no gás natural do que no total. Em 2024, a dependência do petróleo e derivados foi de 99,9% e a do gás natural de 99%. Na prática, quase todo o petróleo e o gás natural de que o país dispõe vêm de fora, em termos líquidos. Na média da UE, a dependência do gás natural foi de 85%, e a do petróleo e derivados de 96,6%.

A dependência caiu mais em Portugal do que na UE desde 2022

De 2022 para 2024, a dependência energética de Portugal desceu 6,8 pontos, de 71,3% para 64,5%. Na média da UE, a descida no mesmo período foi de 5,2 pontos, de 62,5% para 57,3%. O Eurostat calcula o indicador como as importações líquidas de energia a dividir pela energia disponível no país. Um valor acima de 100% quer dizer que parte da energia comprada ficou em reserva.

Fontes

Como verificámos: As percentagens foram conferidas nos dados do Eurostat (tabela nrg_ind_id, atualizada em julho de 2026), para Portugal, para a média da UE, para os 27 países e por produto. A posição de Portugal e as diferenças em pontos foram recalculadas a partir dos valores oficiais, e a definição foi confirmada no glossário do Eurostat.

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