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Energia

15,6% não conseguem manter a casa aquecida, 26,9% nos idosos sós

Abaixo do limiar de pobreza, a proporção sobe para 30,6%. Na UE, só a Grécia, a Lituânia, a Bulgária e Espanha têm valores mais altos do que Portugal.

Por André Antão

Mão a rodar a válvula termostática de um radiador antigo, branco, junto a uma parede
Foto: Etadly / Pixabay

Para 15,6% dos residentes em Portugal, manter a casa adequadamente aquecida estava fora do alcance em 2025, segundo o Eurostat. Em 2024, a proporção era de 15,7%, praticamente igual. Na média da União Europeia, ficou nos 8,8%, ou seja, 6,8 pontos percentuais abaixo. O indicador conta as pessoas cuja família diz não ter dinheiro para aquecer a casa como precisa. Não mede a temperatura das divisões. Os dados vêm do inquérito europeu às condições de vida, numa tabela do Eurostat atualizada a 20 de outubro de 2026.

Só quatro países da UE ficam acima de Portugal

Os 27 países da UE têm valor para 2025, e Portugal tem o 5.º mais alto. À frente ficam a Grécia, com 18,1%, a Lituânia, com 16,7%, e a Bulgária, com 16,1%. O valor da Lituânia ainda é provisório. Espanha fica nos 15,9%, apenas 0,3 pontos acima de Portugal. França chega aos 11,5% e Itália aos 8,6%. No outro extremo, a Finlândia regista 2,6% e a Estónia 3,1%. Entre Portugal e a Finlândia, a distância é de 13 pontos.

Gráfico de barras da percentagem de pessoas que não conseguem manter a casa adequadamente aquecida em Portugal em 2025, por tipo de agregado: pessoas sós com 65 ou mais anos 26,9%, pessoas sós com menos de 65 anos 21,9%, famílias sem filhos a cargo 19,5%, famílias com filhos a cargo 11,2%, todos os residentes 15,6% e média da UE 8,8%.
Pessoas que vivem numa casa que a família diz não ter meios para manter adequadamente aquecida, em %, por tipo de agregado. Fonte: Eurostat.

O valor de 2025 é o mais baixo da série portuguesa

A série de Portugal começa em 2004, com 36,3%, e teve o valor mais alto em 2007, com 41,9%. Desde então, a proporção desceu com altos e baixos até aos 16,4% de 2021. Nesse ano, o inquérito mudou com nova legislação europeia, e o Eurostat assinala uma quebra de série em Portugal. Por isso, a comparação com os anos anteriores é aproximada. Em 2023 houve uma subida para 20,8%, antes da descida para 15,7% em 2024. Na média da UE, a proporção também subiu em 2023, para 10,6%, e voltou a descer depois. Os 15,6% de 2025 são o valor mais baixo desde 2004.

Com rendimentos baixos, a proporção quase duplica

O Eurostat separa as pessoas pelo limiar de pobreza, fixado em 60% do rendimento mediano do país e ajustado à dimensão da família. Abaixo desse limiar, 30,6% viviam em 2025 numa casa que não conseguiam aquecer bem, quase o dobro do conjunto da população. Acima dele, a proporção desce para 12,8%, menos de metade. Na média da UE, os dois grupos ficam nos 19,6% e nos 6,7%. Mesmo entre quem tem rendimentos acima do limiar, Portugal fica perto do dobro da média europeia.

Quem vive sozinho tem mais dificuldade do que as famílias com filhos

Entre as pessoas que vivem sozinhas, 24,8% não conseguem manter a casa aquecida. A proporção chega aos 27,5% nas mulheres que vivem sós e aos 26,9% nas pessoas com 65 ou mais anos que vivem sozinhas. Na média da UE, este último grupo fica nos 11,4%, menos de metade do valor português. Nas famílias com filhos a cargo, a proporção desce para 11,2%, contra 19,5% nas famílias sem filhos a cargo. Um casal com dois filhos a cargo fica nos 7,8%.

Fontes

Como verificámos: As percentagens foram conferidas na tabela ilc_mdes01 do Eurostat, atualizada a 20 de outubro de 2026. Foram vistas para Portugal, para a média da UE, para os 27 países e por tipo de agregado e limiar de pobreza. A posição de Portugal foi contada entre os 27 países, todos com valor para 2025. O valor da Lituânia é provisório e Portugal tem uma quebra de série em 2021. As diferenças em pontos foram recalculadas a partir dos valores oficiais.

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